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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

05
Jun20

Ultimamente


V de Viver

Ultimamente tenho pensado muito no tempo. Palavra difícil de definir. 

O tempo que passa rápido

O tempo que passa lento.

Depende apenas da nossa perspectiva. 

Para mim, ultimamente, tem passado lento.

Ultimamente, obrigo-me a não pensar em ti. A deixar de lado aquilo que vivemos. Os momentos felizes que passámos. Fomos felizes, não fomos? Ou foi tudo ilusão? Não.

Tenho a certeza que fomos felizes. Como tenho a certeza que te sinto ainda dentro do peito. Mas o tempo afasta-nos. Ou seremos nós que nos afastamos? 

Confusão. Poderá ser a palavra que me define, ultimamente. 

Tenho saudades, mas não te quero perto. Quero que penses. Quero pensar. Não quero avançar assim. Defeito meu, talvez, querer sempre as coisas resolvidas dentro da minha cabeça. 

E do meu coração.

Ultimamente tenho chorado muito. Há muito tempo que não chorava assim. Mas não me importo. Chorar ajuda. Limpa-me a alma. Mas não choro por ti. Ou, pelo menos, não apenas por ti. Choro por mim. Choro por nós. Pelo que podíamos ter sido e não fomos. Será que ainda vamos a tempo de ser? Ah...o tempo!

Ultimamente passa lento, esse bandido que nos afastou. Corre devagar. Como se tivesse todo o tempo do mundo. E ele talvez tenha. Mas não nós. Nós somos seres finitos. Não vamos estar cá para sempre, seja o sempre aquilo que for. Será que já alguém pensou sobre o que significa para sempre? O para sempre sequer existe?

Ultimamente tenho muitos pensamentos destes. Perco-me a pensar em coisas que, provavelmente, não fazem muito sentido se as disser em voz alta, ou até mesmo, se as escrever.

Ultimamente também tenho escrito muito. Sobre ti. Sobre mim. Sobre nós. O passado. O presente. O futuro. Mas será que temos futuro? Juntos, não separados.

Ultimamente tenho-me feito muitas perguntas. A maioria delas continua sem resposta. 

Após horas de reflexão chego a uma conclusão...ultimamente é uma palavra muito feia. 

04
Jun20

Chuva de Junho

Chuva de saudades


V de Viver

A chuva cai torrencialmente. As minhas lágrimas acompanham-na. Quase a mesmo cadência. Quase a mesma melodia. O som da nostalgia, se é que a nostalgia tem som. Sempre que chove recordo a minha infância. Há uma imagem que se repete na minha mente vezes sem conta. Eu e a minha mãe deitadas, a ostentosa torrente de chuva, e a voz da minha mãe a dizer baixinho, quase como se de uma canção de embalar se trata-se: "olha, o avôzinho foi trabalhar, filha. E agora está a chover tanto, coitadinho. Vai ficar todo molhado." Recordo a sensação de aperto no peito. Mais do que recordá-la, revivo-a sempre que chove. Recordo ainda a comoção de esperança que se apoderava de mim quando a minha mãe dizia isso. Muitas vezes, quando a chuva era forte demais, o meu avô regressava a casa por não ter condições para trabalhar. O trabalho do campo é muito duro. Mas a maioria das pessoas nunca vai entender isso. Nunca vai saber valorizar. Mas isso é tema para outro dia. Hoje só quero recordar o meu avô. A minha avó. A minha infância feliz. Quero deixar-me embalar pela chuva, um dos sons que mais reverencio no mundo. E deixar que ela me leve de volta àqueles momentos. Àquelas pessoas que foram o melhor do meu mundo. Que fizeram o meu mundo ser o melhor.

Se a saudade matasse...

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