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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

08.04.21

Sempre

V de Viver

Sempre existirão dias cinzentos. Dias em que nada te alegra. Em que tudo te pesa no peito. Dias em que te questionas sobre tudo o que fizeste até aqui. Sobre cada passo que deste na tua vida. Sobre cada escolha, cada virar de esquina, cada decisão por mais pequena que tenha sido. Sempre existirão dias em que as lágrimas se sobrepõem aos sorrisos. Dias em que terás que fingir que está tudo bem para não preocupares a tua mãe, o teu pai, a tua irmã, quem quer que seja que te preocupa mais do que tu própria. Em que terás que enxugar as lágrimas, lavar o rosto e colocar o teu melhor sorriso para atenderes uma videochamada. Dias em que terás que te levantar da cama, a rastejar os pés pelo chão, porque a única coisa que querias era poder ali ficar para sempre. Dias em que passas a pente fino a maior parte das decisões que consideras importantes que já tomaste. Em que olhas para trás e só vês fracassos. Sempre existirão dias em que só queres ouvir aquelas músicas que te tocam até à alma. Que só de a ouvires começar, sem perceberes de onde ou porquê, as lágrimas já surgem. Dias em que só te apetece estar sozinha e em que te sentes grata por, realmente, estares sozinha. Dias em que te custa falar com os outros. Em que o silêncio se torna a tua melhor companhia. Sempre existirão dias em que te arrependes. Dias em que percebes que não fizeste a melhor escolha. Dias em que tudo o que querias era uma hipótese de voltar atrás. Dias em que a dor no peito é tão forte e a escuridão te puxa com tanta força para o fundo, que nem sabes como consegues respirar. Sempre, sempre existirão esses dias menos felizes. Esses dias de reflexão. De questionamento. Dias em que te sentes uma autêntica otária por teres acreditado nas pessoas. Por teres confiado. Por teres sido inocente. Por teres sido boa. Sempre existirão dias em que te odeias por seres intensa demais. Por sentires demais, por gostares demais, por acreditares demais, por te entregares demais, por confiares demais. Sempre. Esses dias sempre existirão. E a única coisa que podes, e deves, fazer é seguir. Seguir com a certeza de que eles sempre existirão. Mas também com a certeza de que eles não serão uma constante na tua vida. A vida sempre segue. Mesmo que nem sempre seja como sonhámos. Quase nunca é como sonhámos. Mas, ainda assim, é uma dádiva estar vivo. 

               

                                 

 

 

17.03.21

Perdurável

V de Viver

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A vida une e separa as pessoas. A toda a hora. Fins e começos acontecem a cada momento.

Acredito que ninguém, absolutamente ninguém, cruza o nosso caminho por acaso. Acredito que quando duas vidas se cruzam existe um motivo. Acredito também, acima de tudo, que é importante guardar com carinho as pessoas que passaram na nossa vida e nos proporcionaram momentos inesquecíveis. Não importa a circunstância, não interessa se o que aconteceu foi ou não plausível, nem sequer o tempo que a pessoa se manteve na nossa vida. Parte dela estará sempre connosco quando o que ela nos ofereceu foi memorável. 

Que tenhamos sempre a capacidade de aceitar o fim, de respeitar o que vai dentro de cada um, nunca esquecendo que, mesmo quando nos parece que foi mais fácil para o outro, essa não é necessariamente a verdade. Cada um sabe a dor que carrega, o amor que transporta dentro de si. Que saibamos aceitar que há amores que não são para ser. Mas que não esqueçamos, nunca, que há histórias que parecem acabadas, mas podem não estar. Ninguém conhece o futuro, ninguém tem o poder de prever o que está por vir. O mundo gira e a vida continua, e nas subidas e descidas que a linha da vida nos proporciona ainda existe a possibilidade de voltarmos a cruzar o mesmo caminho. Que não percamos a capacidade de seguir com leveza, não desistindo nunca de ser feliz e relembrando sempre aqueles que, mesmo que por um curto espaço de tempo, fizeram parte da nossa vida. Tempo nada tem que ver com intensidade. E existem histórias que por muito curtas que tenham sido mudaram a nossa vida para sempre. 

25.02.21

Ainda bem...

V de Viver

Já dizia Clarice Lispector: 

"Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas."

Quando passamos por períodos conturbados na nossa vida é difícil ver a vida de forma positiva. Frequentemente só conseguimos ver o que está mal, tudo sem cor e sem expectativas para o futuro. 

Contudo, é bom que mesmo nesses momentos, sobretudo nesses momentos, tenhamos consciência que tudo passa. "O tempo cura tudo" é um cliché dos diabos. E nas nossas piores fases é chato ouvir quem nos rodeia dize-lo. Mas é, de facto, algo que se aproxima muito da verdade. E digo isto porque há dores que o tempo não cura. Dores profundas que nunca saram. Contudo, é verdade que com o passar do tempo elas amenizam. Deixam de doer tanto. Por vezes, de um dia para o outro, aprendemos a lidar com essa dor. Mas não foi a dor que desapareceu. Fomos nós que criámos uma forma de lidar com ela. Uma forma de a diminuir dentro de nós, de conviver diariamente com ela sem que nos seja tão dolorosa como antes. 

É importante que nunca nos esqueçamos que, realmente, sempre existe outro dia.

É verdade, sim, que sempre existem outros sonhos.

Assim como é verdade que sempre existem outros risos. E outras pessoas. E até outras coisas.

Não podemos deixar de ter esperança num amanhã melhor. Não podemos deixar que a dor nos consuma. Nos corroa. Por maior que seja o nosso problema a solução passa sempre por nos amar-mos e respeitar-mos a nós próprios. Acreditando sempre que existe, sim, um futuro. Por muito longínqua e inalcançável que nos pareça estar a felicidade, ela acaba sempre por chegar. 

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