Um Lugar Querido
(Desafio 30 dias de escrita)

Assim que os meus pés tocam as tábuas sinto-o. Aquela sensação de que acabei de ser rodeada por uma bolha. Passam por mim dezenas de pessoas, tão envolvidas nas suas vidas como eu na minha. Não as vejo realmente. Não me interessam. E sinto-me invisível perante elas. Ali sou só eu. Só eu e o mar. De início deixo-me envolver só pela sensação de paz. Fecho os olhos durante uns segundos mas sem interromper a cadência dos meus passos. Respiro fundo. Uma. Duas. Três vezes. Quero deixar as más energias ali no inicio do passadiço. Continuo a andar. Apodera-se de mim a mesma sensação de sempre: paz. Pura paz. O sítio onde me sinto segura. Onde vou para chorar. Mas onde vou, também, naqueles dias em que a felicidade não me cabe no peito. Ouço as ondas do mar a rebentar na areia. Olho para o mar, olho para o céu. Continuo a andar. Perco-me nas horas. Se eu dissesse a alguém a quantidade de passos que o pedómetro do meu telemóvel regista quando regresso ao ponto de partida, provavelmente, ninguém acreditaria. Ou então diriam apenas que sou doida. Antes doida que doída. Não saberia dizer qual é a sensação que prevalece em mim naquele lugar. Paz? Segurança? Gratidão? Felicidade? Todos juntos resultam em quê? Não sei dizer. Mas é ali que me aproximo de mim, da minha paz interior. É um lugar público, mas é um lugar tão meu. Só meu. O meu templo privado.
A minha praia, o meu paraíso.
