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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Tudo aconteceu, exactamente, como devia ter acontecido

V de Viver, 22.10.19

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(Imagem Pinterest)

Dou por mim a pensar em tudo o que já me aconteceu. Não falo dos acontecimentos deste ano, ou dos últimos anos. Falo daquilo que me aconteceu no decorrer da minha existência. Refiro-me às lutas, às vitórias, às derrotas, aos dias tristes e aos dias felizes. À família onde nasci, às escolas por onde passei, aos amigos, aos amores e desamores. Falo de tudo aquilo que nos molda. Tudo aquilo que nos faz sermos, exactamente, como somos. Com os nossos defeitos, os nossos traumas, as nossas qualidades. Dos acontecimentos que nos levaram a ser pessoas carrancudas ou pessoas risonhas. Que determinaram se seríamos mais simpáticos ou menos. Que nos transformaram em pessoas com tendência a sermos mais ciumentas, desconfiadas, solitárias, ou pelo contrário, pessoas mais abertas, que confiam em tudo e todos e que odeiam estar sozinhas.

E é neste ponto que me dou conta que tudo o que aconteceu na minha vida foi, exactamente, o que devia ter acontecido.

Tudo o que me aconteceu trouxe-me onde estou fez-me ser quem sou. Mas acredito que foram, principalmente, as coisas menos boas que determinaram onde estou e em quem me tornei.

Parem um minuto e olhem para o vosso interior. Não foi em todas as situações em que ficaram mais desconfortáveis que vocês perceberam que tinham que mudar a vossa realidade? Se não passássemos por essas situações que nos levaram ao desconforto extremo, que nos fizeram chorar até ficar sem lágrimas, que nos tiraram o ar. O chão. Que nos levaram a pensar que não tínhamos saída, que estávamos no fundo do poço. Se não fosse aquele abanão que nos obrigou a sair de onde estávamos jamais teríamos parado. E por não pararmos jamais teríamos olhado para dentro de nós. E por não termos olhado para dentro de nós jamais teríamos saído da nossa zona de conforto. Foi nas nossas descidas ao fundo do poço que questionámos a nossa experiência e a nossa existência. Foi aí que mudámos o nosso rumo para chegarmos onde estamos. Para sermos quem somos e fazermos o que fazemos. Sejamos gratos por isso.

Provavelmente vamos descer mais vezes ao fundo do poço. E está tudo bem. Vamos ter sempre força para sair. E seguir.

Devem ter reparado que falei no plural, e eu não sou ninguém para falar por vocês. Esta é, apenas, a minha maneira de ver as coisas. A vossa pode ser diferente. E  estamos corretos de igual forma. Porque a minha realidade é, com certeza, diferente da vossa.

Excertos que me tocaram a alma #1

V de Viver, 21.10.19

“ Todos devemos alguma coisa a alguém. Sim, a vida é uma dívida permanente para com os outros, para com aqueles que nos dão o seu amor com generosidade, quer sejam os nossos pais, os nossos amigos ou os nossos filhos. Devemos fazer as coisas porque são corretas, mas intimamente esperamos sempre uma recompensa; no caso dos afetos, que pelo menos nos devolvam a mesma coisa que receberam.”

Jody Picoult, O Lobo Solitário

Falhei, tá falhado e não se falha mais nisso!

V de Viver, 21.10.19

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Hoje acordei com menos dores (da lesão no pé). Está um dia lindo lá fora. Decidi que iria lavar uma roupa, e já agora dar um “jeitinho” à casa (devido à mobilidade reduzida provocada pela lesão não tenho sido, ultimamente, a fada do lar que costumo ser). Mas não dou inicio à minha “luta” sem antes beber um cafezinho na varanda. E pronto. É ali que a magia acontece. Da minha varanda consigo avistar o mar. Sempre sonhei viver numa casa com vista para o mar. Não é que consigo ter AQUELA vista. Mas vejo-o. E hoje, mais uma vez, foi ali que me chegou aquela sensação de gratidão. Sou muito grata por ter chegado onde cheguei e, principalmente, por ter chegado sozinha. Este ano tenho dado mais importância ao que me falta do que àquilo que já tenho. É isto que quero dizer quando, em posts anteriores, disse que me perdi. Perdi-me sim. E perdi-me porque deixei de agradecer o que tenho. Deixei de agradecer o que já conquistei. Deixei-me levar pela vida e comecei a comparar-me com os outros. Outros esses que não trilharam o mesmo caminho que eu. Que não passaram pelo que eu passei. Não viveram o que eu vivi. E é neste ponto que me apercebo do quanto me deixei levar. Do quanto andei estes meses em piloto automático. Do quanto me permiti não olhar para dentro, não me focar em mim. Falhei. Está falhado. E não se falha mais nisso.

(Imagem: Pinterest)

Passividade pessimista

V de Viver, 20.10.19

Passividade pessimista! 

Acabei de ler estas duas palavras algures num texto cujo título era: "Dicas para sair de uma fase difícil". Ora bem, eu sou (fui?!) uma das pessoas mais positivas que conheci, dizendo inclusive a todos que me rodeavam que temos que ver sempre o lado positivo das coisas. Mas por algum motivo que eu desconheço (ou que está preso algures dentro do meu cérebro) este ano tem sido um ano muito negativo a nível emocional. Está a ser difícil a nível profissional, como já escrevi aqui no blog, e está a ser igualmente difícil a nível pessoal.


Não julguem que quero deixar-vos também pessimistas com estas palavras. Essa, jamais, seria a minha intenção. Mas também não tenho intenção de mentir, nem a quem me lê, nem a mim mesma. E mentiria se viesse aqui escrever palavras alegres quando não as sinto. 


Mas eu sei que não estou, totalmente, perdida! Não, não estou. E sabem porque? Porque ainda consigo analisar a situação e ver que quero (e vou!) voltar a ser eu.


Este ano perdi-me. Mas vou encontrar-me novamente. E vocês vão ser testemunhas disso. Se for vossa intenção continuar a passar por aqui! A ler-me. A conhecer-me. Se não continuarem comigo, obrigada por terem passado por aqui! 

Deixar chover

V de Viver, 19.10.19

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Está a chover lá fora. O sol não despertou. Não há passarinhos a cantar na varanda. Não há barulho na rua. Vou à janela só para confirmar que ainda estou no mesmo sítio. Que não aconteceu nada extraordinário durante a noite que levasse o meu pequeno apartamento para o meio do nada. É que não é normal não ouvir nada lá fora sabem?! Mas eu gosto. Aí se eu gosto do silêncio. O único problema do silêncio é que nos obriga a ouvir o que temos cá dentro. Eu hoje também não tenho sol. Hoje só me apetece, tal como o dia, deixar chover. Provavelmente vou deixar. Ou talvez daqui a pouco o sol acorde. Dentro de mim. Lá fora dúvido muito. Mas ele está lá. Pode não estar a brilhar mas está lá. Acredito que dentro de mim seja igual. Pelo menos gosto de pensar que sim.

Éramos felizes e não sabíamos!

V de Viver, 18.10.19

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Hoje era o aniversário da minha avó. A minha única avó. A única que me quis e que me aceitou.

Após a morte da minha avó caí na dura realidade de que não há mais avós. O avô foi-se, a avó foi-se! Aí avós se vocês soubessem como foram o nosso pilar, a nossa raiz. Se soubessem como tivemos uma infância feliz graças a vocês. Obrigada por nos terem permitido crescer da forma que crescemos. A esfolar os joelhos no quintal, a sujar as mãos com carvão para desenharmos o jogo da macaca no cimento do quintal, por sujarmos as mãos na horta, por regarmos a horta e ajudarmos a carregar a lenha miudinha. Por termos tido a possibilidade de andar de bicicleta na travessa, de apanhar caracóis, de aprendermos a caiar. Como éramos felizes por termos carretas e fazermos corridas no quintal. Por termos crescido a espalhar os brinquedos pelo quintal e na casa do lume. Por termos cozinhado a fingir com talos da couve e cascas das batatas. Por temos aprendido lenga-lengas, anedotas e advinhas. Por nos terem ensinado a jogar às cartas, o que é um naipe, um rei, um duque. Pelas tardes a ver televisão deitados no chão, só uma manta por baixo, a comer batatas fritas na hora do calor porque só depois podíamos ir fazer asneiras para o quintal. Por termos percebido o que significa comer em união numa mesa redonda com braseira, e como dizia o avô quando começávamos a falar e a fazer demasiadas perguntas: “Ovelha que berra bocado que perde”. Obrigado avô por todas as vezes que nos foi levar e buscar à escola, muitas vezes debaixo de chuva só protegido pelo fraco guarda-chuva. Obrigada pela educação, pelas reprimendas, pelos incentivos. Obrigada até pelas palmadas avó, e obrigado por nunca nos ter dado uma palmada avô. Obrigada por nos deixarem crescer livres, por nos terem aturado as birras, por terem conseguido aguentar quando nos juntávamos quatro ou cinco lá em casa e a avó dizia “Um sozinho é um santinho, juntos são uns diabinhos”. Obrigado avô por nos ensinar que nem sempre o que está partido tem que se deitar fora, que as coisas podem ser reutilizadas, pois foi isso que nos mostrou desde muito cedo, que com algumas coisas velhas se faz um brinquedo. Uma mesa para as barbies, um roupeiro, um sofá. Obrigada por nos ter feito tantos brinquedos e já agora saiba que ainda os guardamos todos. Obrigada por nos deixar brincar no alpendre. Obrigada por nos deixarem “tomar banho” dentro do tanque da roupa, e por todos os banhos de mangueira no quintal, e pela água que nos deram a beber tantas vezes directamente do poço. Obrigada pelo feijão feito ao lume e pelas migas, nunca mais ninguém irá conseguir igualar o sabor da comida dos avós.

Obrigada por tudo, por terem feito parte da nossa vida, por terem sido sempre tão presentes, e por nos terem feito tão felizes. Foi, sem dúvida, devido à vossa presença que fomos crianças tão felizes. Guardo todos esses momentos com a certeza de que não poderia ter sido mais feliz do que fui na minha infância, e de que foi, sem dúvida alguma, a melhor fase da minha vida. 

Os dias felizes na casa (e principalmente no quintal) dos avós acabaram. Mas vocês viverão para sempre dentro de nós.  

Éramos felizes e não sabíamos!

Haverá males que vêm por bem?

V de Viver, 17.10.19

Hoje quero falar sobre trabalho!  

Estou de baixa médica há cerca de quinze dias porque fiz (estupidamente) uma lesão no pé direito. Por algum motivo quero escrever sobre esta fase embora, provavelmente, daqui a uns meses já não faça sentido ter escrito. Mas não dizem que temos que viver no presente? Então, o ano de 2019, a nível profissional, tem sido uma bela merda (desculpem lá o palavrão, mas fiquem já a saber que digo uns quantos!). Exerço a minha actual profissão há 3 anos, sempre naquele local. O motivo da mudança de ambiente é uma coisa da qual não vou falar aqui, mas mudou, e muito, e para pior! Mas seja como for, para não divagar (coisa que me acontece muito quando escrevo), andei tentada a pedir uma baixa para ficar a descansar a cabeça, para me afastar daquele local, daquelas pessoas (não me interpretem mal, não é que os odeio nem nada do género, apenas sentia que não ia aguentar mais). Acreditem passar a vida num ambiente tóxico nunca foi uma ideia que me alegrasse. Até porque sentia que eu própria me estava a tornar tóxica, sempre a reclamar. Mas as coisas são o que são e eu preciso de trabalhar por uma variedade de motivos, sendo que o mais importante será que não posso viver sem dinheiro, certo? Continuando, queria meter baixa, e agora estou de baixa sem querer. Não é estupido? É! Dou por mim a pensar: “tem cuidado com o que desejas!” ou “o karma é lixado”.  

É lógico que eu não quero estar de baixa. É logico que eu não quero estar aqui deitada sem fazer nada (claro que faço as tarefas da casa, até porque se eu não fizer quem vai fazer?!) e sem mexer o rabo (que por sua vez vai, obviamente, aumentar!). Mas acontece que por outro lado não consigo parar de pensar que talvez, só talvez, existam “males que vêm por bem”. Juro-vos que estava à beira de um colapso nervoso! Esgotou-se a paciência, o (muito) bom-humor, a vontade de ir trabalhar, esgotaram-se todas as reservas de coisas boas que tinha cá dentro. Juro-vos mesmo. Só me apetecia gritar, fugir, despedir-me, e, quiçá, matar alguém! (não levem a última a sério, sou só eu a ser dramática!) 

Já dei por mim a pensar se as pessoas sempre foram assim e eu só descobri agora, ou se as pessoas mudaram porque os interesses mudaram. Não sei e não quero saber. Só sei que os meus princípios vão ser sempre o caminho pelo qual me vou reger, e que não vou mudar os meus valores só para agradar alguém ou integrar-me no grupo. Já não tenho 12 anos, já não preciso fazer o que todos fazem com o objetivo de ser aceite.  

Só tenho pena de uma coisa, sabem? De não poder continuar a ser eu mesma depois de atravessar a porta do meu local de trabalho. De não poder rir, falar à vontade, confiar, e de ter que meter “cara de trabalho”. Tenho pena porque até gosto da minha cara.  

Resumindo, foda-se, precisava de um tempo afastada. Não precisava era estar afastada e com dores no pé mas, bem, não há nada que seja perfeito não é?

Desabafei, pronto. 

Ser quem somos

V de Viver, 17.10.19

Já dei por mim várias vezes a pensar como seria ser uma pessoa diferente.  Ser como X  que parece nunca se apegar, que parece ter uma pedra no lugar do coração. Ou ter todos os dias a energia de Y que parece conseguir fazer tudo ( claro que aquilo que vejo que a pessoa faz é porque ela faz questão de mostrar ao mundo nas redes socias!). Ou ter um corpo como aquela miúda que vi (mais uma vez nas redes sociais! Mas isso é tema para outro post.) Vocês nunca? Eu dou por mim várias vezes a pensar sobre isso. Depois penso que nós podemos ser como quisermos, que está em nós o poder de mudar, de nos transformarmos exatamente em quem queremos ser. Segundos depois já estou a pensar que não é assim. Somos exatamente aquilo que somos. E vão sempre existir detalhes em nós mesmos que dizemos que gostaríamos de mudar, mas que lá no fundo não gostávamos. Porquê? Porque isso iria alterar completamente quem somos. E se somos o que somos é porque as circunstâncias da vida nos fizeram ser assim. E mudar não seria perder completamente a nossa identidade? Claro que não me refiro a ser sempre igual. Nada disso. Eu própria não sou, neste momento, a mesma pessoa que era ontem por esta hora. O que eu quero (o que eu espero) é que tenhamos sempre a capacidade de mudar, mas sem nunca perder a nossa essência. 

 

Eu e a minha solidão

V de Viver, 16.10.19

16830269_1288074357929328_1921538110_n.jpgHá dias em que só precisamos estar sozinhos. Em que precisamos esquecer todos ao nosso redor, os problemas, o trabalho, os dramas internos, os dramas das amigas, o que não nos pertence, mas que deixamos que nos encha a cabeça e a alma todos os dias. Há dias em que só o silêncio nos pode fazer companhia. Ou a música. Vivo sozinha há cerca de três anos, altura em que acabei uma relação de nove anos! Caramba, nove anos. Mas isso é outro tema, hoje só quero falar do bem que a solidão nos pode fazer. Quando fiquei sozinha, inicialmente, fiquei assustada. Tinha acabado de começar uma nova vida, um novo trabalho, num sítio completamente diferente e a duzentos quilómetros da minha terra, da minha família, das minhas raízes e daquilo que eu conhecia. Foi, sem dúvida, um sonho tornado realidade porque vim viver para a localidade onde sempre tinha sonhado viver, e foi ainda melhor do que imaginei. Não mudava nada do que aconteceu, até porque acredito que tudo acontece por um motivo, mas foi duro no início. Mas com o tempo a solidão começou a fazer-me companhia. E eu gostei. Parece inacreditável, ainda mais para quem me conhece. Sou uma pessoa super alegre e sociável, mas no dia que me habituei a gostar da minha própria companhia a minha vida mudou. Com os anos (ou será com os danos?!) aprendes que só tu te podes compreender. Só tu tens o poder e a possibilidade de te ajudar, de te escutar e de te fazer feliz. Não digo com isto que devemos passar a vida sozinhos, atenção! Eu gosto muito de estar com os meus amigos, das jantaradas, dos copos e das saídas com eles. Adoro estar com a minha família, nada me faz mais feliz que reunir a família toda. Pretendo apenas que todos que leiam isto possam compreender que, por vezes, estar sozinho pode ser a melhor coisa da vida. Ajuda-nos a crescer de uma forma indescritível. Perdi a conta às vezes que estava com algum problema, alguma dor interior, e fui até à praia, sozinha. Só eu e o mar. Só estar sozinha com o mar é que pode ser melhor que estar efetivamente sozinha.

Acreditem.

Cresci muito mais nos momentos em que me encontrei sozinha do que nos momentos em que alguém me tentou ajudar ou me tentou animar em relação a alguma coisa. Os conselhos das pessoas que nos amam podem ser bons, mas não há nada como os nossos próprios conselhos. Como o nosso próprio olhar sobre os nossos problemas e dilemas. Só isso nos pode ajudar a resolver, tanto os problemas externos como, principalmente, os internos. 

O meu Alentejo

V de Viver, 16.10.19

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Foi a 27 de Novembro de 2014 que o cante alentejano foi reconhecido como Património Cultural Imaterial da Humanidade, justamente no dia do meu aniversário. Mas para mim o cante alentejano já me estava marcado na alma havia 24 anos. É parte de um alentejano, assim como o é a chouriça assada com o belo pão, o presunto, o toucinho assado, as migas e as açordas, ah e os gaspachos com carapaus fritos (eu prefiro pastéis de bacalhau, confesso!). Nasci e cresci no Alentejo. Vivi nesse paraíso de planícies 25 anos, e ainda hoje lá vou com bastante frequência. Mas a música alentejana? Estejamos onde estivermos, em que circunstâncias e a fazer seja o que for, quando toca a música alentejana um alentejano não consegue ficar indiferente. É uma emoção como se o que está a ser dito fosse alguma coisa que se passou na nossa vida, como se fosse uma recordação pessoal. Como se fosse nossa, e é! Acho ainda mais fascinante que a música alentejana me faça sempre lembrar o meu falecido avô (leia-se pai!) embora nunca tenha presenciado o meu avô a ouvi-la (um dia pode ser que eu escreva sobre o porquê de ele não a ouvir). Ah e as festas da terra? Na minha aldeia colocam-se rádios nas ruas por altura das festas em Honra da Santa Padroeira. Não tem explicação a sensação que vive um alentejano que acorda ao som da sua música alentejana nas festas da terra. Porque as festas da terra são o acontecimento mais esperado do ano. Todos os anos em Agosto as festas da terra servem para voltar a ver quem partiu para o estrangeiro em busca de oportunidades, para voltar a ver os quintados, para juntar a família toda, para beber, comer e conviver. Não há sensação como a de voltar a casa, e a minha casa vai ser sempre o Alentejo.