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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

28 Dez, 2019

A Decisão do Ano

A verdadeira escolha de 2019

V de Viver

A vida é uma constante surpresa. Umas vezes gostamos disso, outras vezes nem por isso. Aquela impervisibildade que só a vida é capaz de nos mostrar é sempre algo estrondoso.

Depois de um ano atribulado, de um ano em que me perdi completamente de quem eu era, encontrei-me. Finalmente.

E é nesse momento de certezas, luz, clareza, leveza, e de metas traçadas para o ano seguinte, mas principalmente para a vida, que ela me decide mostrar o quanto é impervisivel.

"Ah achas que tens todas as certezas? - pergunta a vida.

Sim, tenho. Saí do fundo do poço com muito esforço, e agora sei bem aquilo que quero e aquilo que não quero! - responde a V. cheia de segurança.

Muito bem! Então vê se consegues lidar com isto - diz a vida e, de repente, pumba!

Uma bomba caí na cabeça da V!"

E agora? O que decidir? O que fazer? Sabem aquela sensação desconfortável de quando têm mesmo que decidir algo importante, algo que vai mudar a vossa vida para sempre? Foi assim que me vi há uns dias. Ah, e é importante que se diga que só tinha dez dias para decidir o que fazer. Dez dias para decidir mudar a minha vida completamente ou manter-me no ponto em que estou agora.

Partilhei aqui no blog, logo no momento em que surgiu essa "bomba" porque senti necessidade de desabafar. E como partilhei aquele momento, decidi hoje, partilhar também convosco a minha decisão.

Num (pequeníssimo) resumo, para quem possa vir a ler este post e não tenha lido o do desabafo, a "bomba" é uma decisão a nível profissional que me pode fazer progredir na carreira. 

Mas como tudo na vida, também esta "bomba" tem vantagens e desvantagens.

Dentro do leque das vantagens temos o facto de "subir", temos o ordenado que será mais elevado, temos outras condições para o resto da vida, como por exemplo fins de semana em casa e deixar de trabalhar por turnos, e o que, no meu caso, pesa mais, o facto de ir estudar durante dois anos (adoro estudar, sim!).

Para as desvantagens temos o facto de mudar completamente de vida e ter que deixar tudo para trás, temos o facto de poder um dia voltar à cidade onde estou agora ou não, temos também um namorado que fica para trás e que está estabilizado aqui logo nem faria sentido ele sair, temos o facto de durante o resto da carreira, possivelmente, ter que andar a saltar de cidade de X em X anos, o ordenado baixava durante os dois primeiros anos por estar a estudar, e teria que abandonar a casa onde vivo, o que para mim significaria abandonar parte da minha independência.

Ora a decisão pode não vos parecer difícil e, claramente, existem outras muito mais importantes. Mas esta, neste momento, para mim é da mais elevada importância. 

Sem mais delongas deixem-me que vos diga que decidi ficar.

Ficar onde sempre quis estar, continuar no mesmo "patamar" a nível profissional, um ordenado um pouco mais baixo, trabalho por turnos, mas aqui, onde sonhei viver. Escolhi pensar em mim primeiro. Escolhi aquilo que eu quero. Precisei afastar-me de tudo e todos para pensar (daí a ausência aqui no blog também). Foi necessário olhar para dentro. E depois olhar-me "de fora". Parar, olhar à minha volta. Foi acompanhada do silêncio, do sol e do mar, que tomei a minha decisão consciente. 

Se foi a melhor decisão? Não sei. Só o tempo me dirá, só ele me trará as respostas.

Estou consciente que a escolha é minha, que só eu posso escolher e que só a mim diz respeito. Mas ainda assim deixo-vos a minha decisão.

Ser feliz.

 

24 Dez, 2019

Natal Brilhante

Mas pouco...

V de Viver

Já escrevi aqui no blog que este ano não festejo o Natal. A partida da minha avó, que foi como uma mãe, deixou marcas fortes. Arranhões, nódoas negras, buracos no peito, não sei dizer. Sei que este ano não faz sentido festejar o Natal.

Mas, logicamente, não é por isso que não sei que hoje, se tudo fosse como antes, estaríamos todos juntos daqui a algumas horas. Casa cheia, barulho, cheiro a comida e a lenha queimada na lareira. Mesa comprida, bacalhau, chouriça assada, doces e vinho. Abraços, beijos, carinho...amor. Este Natal vou estar a 200km da minha família. Mas estou, também, à distância de uma videochamada. Mas os quilométros deixam de ter importância quando penso que estou a uma vida de distância do meu avô e da minha avó. Não se pode fazer videochamadas para o céu! 

Sou a primeira pessoa a dizer que não se pode viver no passado. Que o que foi bom deve ficar guardado no nosso coração mas não deve pairar pela nossa mente a toda hora. Mas nestes dias a falta dos que partiram evidencia-se ainda mais. 

A falta dos que partiram e a falta dos dias de infância/adolescência em que o Natal tinha tanto sentido. Em que ansiávamos pelas prendas, que pedíamos quase com um ano de antecedência. Pela chegada dos primos, tios, tias, avós. As brincadeiras até altas horas. Recordo-me que a noite da consoada era, provavelmente, a noite em que nos era permitido ficar acordados até mais tarde.

Mas a vida é assim mesmo. Crescemos. Alguns partiram. Outros têm agora as suas próprias famílias. E o Natal perde, um pedacinho, do brilho. 

Mas o dia lá fora quer contradizer-me. Amanhaceu com um sol cintilante. E quem me lê sabe que eu adoro dias de sol. É deste modo, com o sol a bater-me na cara, a aquecer-me a alma que esfriou com as circunstâncias da vida, que desejo, a vocês que passam por aqui, deixando um pedacinho do vosso amor e atenção, um Santo e Feliz Natal. Espero que todos possam ter uma noite tranquila junto dos que mais amam. Porque é isso o Natal. Tranquilidade, amor, família, carinho e presença. 

Não se confundam, não é presente, é presença.

Sejam felizes. 

 

23 Dez, 2019

Socorro

E agora?!

V de Viver

Sabem quando em determinada altura da vossa vida querem muito uma coisa? Querem aquilo mais do que tudo. E esperam, esperam, esperam até a oportunidade surgir perante vós? Aquela "ansiedade" do: quando será? Será que demora muito? Será que é ainda este ano? Sabem do que falo?

Com certeza que sabem! E então digam-me, por favor, já vos aconteceu quererem muito, durante muito tempo alguma coisa, e quando surge a oportunidade, simplesmente já não faz sentido? 

Surgiu hoje uma oprtunidade que eu esperei cerca de três anos. Mas de há um ano para cá deixei, praticamente, de pensar no assunto porque, simplesmente, outras coisas passaram a ser mais importantes. E agora? Agora não sei o que fazer! E também sei que não vão ser vocês que me vão ajudar a resolver este impasse mas a verdade é que não sei mais com quem desabafar (dois desabafos no mesmo dia, am?)

A oportunidade de que vos falo tem a ver com a vida profissional. É uma oportunidade de progredir na carreira. Há alguns anos que não surgia para ninguém, e agora surgiu. E surgiu também para mim. Só que se eu queria muito isso há uns anos, como já vos disse, neste momento eu já não sei se quero! 

Nunca fui uma pessoa com muita ambição profissional, sabem? Nunca sonhei chegar ao topo nem nada que se pareça. No entanto é claro que, sendo eu uma pessoa que gosta de estudar, aprender e evoluir, gostava de progredir.

Então onde está o problema? Perguntam vocês. O problema é que para isso acontecer eu vou ter que abandonar a vida que tenho agora durante, pelo menos, dois anos. A casa onde moro, a cidade onde moro, o namorado que tem a vida dele fixa aqui nesta cidade, tudo, tudo aquilo pelo qual lutei e tudo aquilo que conquistei. Vou ter que deixar tudo para trás e, ainda por cima, com a particularidade de saber que posso não voltar mais aqui.  

Tenho à minha frente uma das decisões mais difíceis da minha vida. E não sei o que fazer. Não costumo ser uma pessoa muito indecisa. Costumo saber bem o que quero, mas depois deste ano miserável, nunca pensei que, a tão poucos dias do final, ainda tivesse que tomar uma decisão tão impactante.

Socorro é a única palavra que me ocorre. Sei que ninguém pode decidir por mim, mas juro-vos que não sei mesmo o que fazer!