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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Mais cedo ou mais tarde, descobrimos sempre onde é o nosso lugar

V de Viver, 26.10.20

Ainda à bocado quis fugir daqui. Deixar este peso no peito. Esta vida de incertezas. Deixar para trás o trabalho, as pessoas, a vida em que me encontro. Quis fugir das voltas da vida. Quis ir embora e deixar de me assustar com o tempo. Fugir para um sitio novo. Onde ninguém me conhecesse e eu não conhecesse ninguém. Onde não falasse a mesma língua. Onde não tivesse que sorrir quando só quero chorar. Onde não tivesse que fingir que está tudo bem quando por dentro há um furação a destruir tudo. Quis ir para um sitio longínquo e silencioso. Para uma floresta, para um deserto, para uma praia, qualquer coisa onde só existisse eu. Onde pudesse gritar, chorar e implorar à vida que me desse sossego à alma. 

Mas depois lembrei-me que tudo passa. Lembrei-me que tudo tem, apenas, a importância que lhe damos. Lembrei-me que estou viva, que a vida é minha e que faço com ela o que quiser. Que tudo depende apenas de mim, que eu dependo apenas de mim. Não me sinto melhor, mas sinto-me mais calma. Sei que as coisas vão acabar por se endireitar. Sei que as respostas vão chegar. Tudo vai encaixar, porque acaba sempre por ser assim.

Tenho medo. Quando a vida vem e te muda as perguntas é assim que te sentes, sabes? Perdida e com medo. Porque achavas que tinhas tudo planeado, tudo controlado, e afinal não sabes nada de nada. Mas tenho fé, também. Fé de que as coisas acabem por ir ao sitio delas, porque acredito que elas acabam sempre por ir.

Mais cedo ou mais tarde, descobrimos sempre onde é o nosso lugar. 

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