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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

V de Viver

Ultimamente dou por mim a pensar se estarei a dar tudo, se nos dias de hoje uso todo o meu potencial. 

Se houve coisa que me fez feliz nestes últimos anos [aqueles que considero os meus primeiros anos de vida, em que comecei a viver efectivamente, em que me descobri!] foi saber que dei sempre o meu melhor. Quer dizer, sempre talvez seja exagerar, mas em 90% dos meus dias dos últimos oito anos eu dei o meu melhor. Naqueles dias em que parecia que conseguia a proeza dos meus dias terem mais de vinte e quatro horas eu vivi. Vivi muito, dei muito, e cheguei à conclusão que não é fazer muito que nos cansa, o que nos cansa é fazer pouco daquilo que nos faz sentir muito. E comecei a viver baseada nesse lema. 

Mas agora, nesta fase da minha vida em que me sinto com muito menos energia dou por mim vezes sem conta a pensar: "estás a dar o teu melhor, ou apenas o teu possível?". Confesso que, volta e meia, logo a seguir vem o pensamento: "mas não serão exactamente a mesma coisa?". Mas não são. Não para mim. 

Por exemplo, o que me fez vir aqui escrever hoje, o treino, que só conheci há oito anos e que foi verdadeiramente constante nos últimos quatro. Nos últimos dois meses tem sido uma desgraça. Sinto-me sem energia, muitas dores de cabeça, às vezes triste, outras nem vos saberia descrever. E deste modo tenho treinado pouco, muito pouco. Pouco ao ponto de vos dizer que o melhor que tenho conseguido, embora não diariamente, têm sido trinta minutos de bicicleta ou uma caminhada de dois ou três quilómetros. Isto para uma pessoa que fazia musculação diariamente e aulas de sprint em bicicleta de alta intensidade, acreditem, não é nada! MAS é aquilo que tenho tido capacidade, vontade, motivação e disciplina para fazer. 

Não quero ser demasiado dura comigo, mas também não quero ser demasiado mole. A vida é dura para quem é mole, e acreditem que eu sei bem disto porque já fui mole, já fui uma vitima da vida e de todos os que me rodeiam, uma coitadinha. Era assim que me via há muitos anos, mas quando comecei a viver, com os meus lindos vinte e cinco anos, a minha visão de mim mesma e da vida mudou completamente. 

Mas, tal como disse acima, não quero ser demasiado dura comigo. No entanto passa-me pela cabeça vezes demais se, realmente, eu estarei a dar o meu melhor. Porque há dias em que sinto que podia dar mais, podia fazer mais, podia ser mais a pessoa que era há dois meses. Mas depois sinto a falta de energia e vou-me abaixo. 

Este texto parece uma queixa, mas não é. É um desabafo de quem já foi "a super-mulher", a que fazia mil coisas num dia só, e agora, por vezes, nem vontade tem de sair da cama. Mas sabem que mais? É por um bom motivo. E sei que dentro de pouco tempo estarei de volta. Mas não como super-mulher. Não, não quero mais ser a super-mulher, é muito cansativo sermos heroínas. Sermos guerreiras mega independentes que não precisam de ninguém, que não precisam de ajuda, que fazem tudo sozinhas. Juro-vos, é uma canseira.

Não, não quero mais ser a super-mulher. A partir de agora quero apenas ser mulher, quero apenas ser...

PS: o resto fica para outro post!

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