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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Renascer

V de Viver, 12.08.21

É aqui, sentada na minha cadeira na varanda da minha casa e a olhar para o mar, que (vos) escrevo. O mar está mais longe agora e a cadeira já não é a de plástico, mas não deixa de ser tudo aquilo que sonhei. Realizar um sonho leva-nos sempre a uma felicidade extrema. A felicidade é passageira, o momento de êxtase acaba sempre por passar. Contudo a gratidão é eterna. E é aí que vibro. Gratidão pura por tudo aquilo que já vivi e pelo que alcancei. Sei hoje, melhor do que nunca, que tudo aquilo por que passei era necessário. Que todos os caminhos que me pareceram em tempos errados, não o eram. Tudo é aprendizagem. Todas as dores são necessárias. A dor faz parte do processo. Todos os dias sombrios, todas as lágrimas, todos os gritos silenciosos. Tudo é caminho e o caminho faz-se, realmente, a caminhar. 

Estive muito ausente por aqui. Na verdade não tenho escrito tanto quanto gostaria, mas são fases. E devemos sempre respeitar as nossas fases. Continuo no meu processo de autoconhecimento. Conheço-me hoje muito melhor do que no dia em que criei este blogue. E recordo esse dia como se fosse ontem. Foi a dor que me trouxe à blogosfera, e é ela que me continua a trazer aqui. Porque embora também tenha, ao longo destes (poucos) anos partilhado convosco momentos de felicidade, é verdade que é a dor e a escuridão que me fazem escrever desenfreadamente. Em dias assim é dificíl para os meus dedos acompanharem a minha mente. 

Não me interpretem mal. Continuo a ser uma pessoa grata, sei bem que existem pessoas com histórias muito mais duras que a minha e, por vezes, dou por mim a questionar-me o porquê de me sentir sempre em falta. Não é hoje a primeira vez que sinto esta sensação de que tenho tudo e ainda assim me falta tudo. Mas, exactamente, por não ser a primeira vez que me sinto assim, sei que passa. Tudo passa. Tudo sempre acaba por passar. O que hoje nos parece o fim do mundo amanhã já é apenas uma gota no oceano. O ser humano é assim, e nós mulheres, cíclicas, ainda sentimos mais esta "bipolaridade". 

Estou a viver um processo de cura. Aprendi, recentemente, que tenho dores que me acompanham desde sempre (como a dor da rejeição) que precisam ser curadas. E esse processo não se faz da noite para o dia. Todos temos as nossas questões internas, aquelas feridas que ninguém vê, e que gostamos de camuflar com sorrisos e com palavras vãs de que está tudo bem. Hora ou outra teremos que lidar com elas, acreditem. Dói. Dói muito ir para dentro de nós e perceber onde estão essas feridas. Dói ter que "descascá-las". É como se tivéssemos que mudar a nossa pele. Uma espécie de renascer. Um dia vi um vídeo que dizia: "Tudo o que é bom dói. Tudo o que dá resultado passa por dificuldades. Nascer doi. Dói para a mãe e doi para o bebé. Mas é muito bom. Tem gente que não quer dor. Não quero nada que me incomode. Só quero gostoso. Atritos são absolutamente necessários para o nosso crescimento.Não é só com alguém batendo no nosso ombro e dizendo: ah como você é bonitinha, como eu gosto de você. Não. É quando incomoda." É uma grande verdade. É preciso, sim, passar pela dor para nos conhecermos. É um processo longo e duro. Mas acreditem que vale muito a pena. 

Por aqui continuo o meu caminho. Não tenho todos os dias a mesma clareza, nem a mesma capacidade de lidar com as minhas dores. Mas vale a pena, de verdade, cada dor e cada lágrima, porque hoje sei melhor quem sou. E acredito verdadeiramente que amanhã saberei ainda melhor. 

Não posso deixar de agradecer-vos por continuarem por cá apesar da minha ausência. Grata de coração a todos vocês que, acreditem ou não, conhecem melhor as minhas dores e as minhas alegrias e conquistas do que a maioria das pessoas que conheço no "mundo real". 

Obrigada a todos. 

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