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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Mais um dia ou menos um dia?

V de Viver, 13.10.22

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Sentada numa falésia junto ao mar vim finalizar o meu dia. Um daqueles que não foi nem bom nem mau. Acho que estes dias existem para nos mostrar que nem sempre é preto no branco. Nem sempre é sim ou não. Tristeza ou felicidade. Existem meios termos. Até para alguém que, como eu, não está habituada a eles.

Nem todos os dias são bons, mas todos têm algo de bom, disso não duvido. Pode ser a minha mania de ver sempre o copo meio cheio. Mas é assim que vejo as coisas. Há sempre algo pelo que agradecer. Mais que não seja por ter olhos e ouvidos capazes de ver e ouvir aquilo que estou aqui a presenciar. Não é positivismo fingido. Eu sinto mesmo aquilo que digo.

Felizmente sou uma apaixonada pelas coisas simples da vida. Aquelas que não se pagam e que por nos serem tão comuns não damos o verdadeiro valor. Porque achamos que elas são nossas por direito. Talvez sejam. Talvez o sol, a lua, o mar, o vento, o cantar dos passarinhos sejam um bocadinho de cada um de nós. Pelo menos daqueles que os sabem apreciar. Talvez.

Talvez a vida, no fundo, seja só isto que estou a sentir agora. Está sensação de paz e tranquilidade que o mar e o pôr do sol sempre me proporcionam. A cabeça vazia de outros pensamentos. Nem passado, nem futuro. Apenas o agora, eu, o mar, e a despedida do sol.

Mais um dia ou menos um dia? Talvez seja apenas uma questão de perspectiva.

Uma questão de perspectiva

V de Viver, 16.07.20

Todos sabemos que podem haver várias perspectivas para cada coisa. Mas o que nem todos conseguimos sempre é olhar para a perspectiva mais...positiva, digamos assim.

Hoje dei por mim a pensar sobre isto porque nesta altura do ano, aqui no Algarve, e mais concretamente no meu prédio, passa a ser muito complicado arranjar estacionamento. Ora bem, durante o ano vivemos aqui cerca de umas cinco ou seis pessoas. Se cada uma tiver dois carros (e a grande maioria tem apenas um) serão à volta de dez ou doze carros. Mas o prédio tem imensos apartamentos que servem apenas para alugar para férias. O que é rídiculo porque quem vive no Algarve, muitas vezes, não encontra um apartamento para viver o ano todo, e os que encontra são a preço de ouro. Mas isto é assunto que terá que ficar para outro post porque é longo e chato. Portanto, como eu estava a dizer, nesta altura do ano há mais pessoas, o que leva, lógicamente, ao aumento do número de carros também. Ora, isto já é chato o suficiente, mas torna-se pior quando as pessoas não têm o bom senso de ocupar apenas um lugar.

Any way.

O que eu quero dizer com isto tudo é que hoje, ao pensar sobre o facto de ser, tremendamente, chato chegar do trabalho e não ter onde estacionar o carro, dei-me conta que isto só acontece por um motivo. E é aqui que entra a questão da perspectiva. Porque é que eu chego a casa e não tenho lugar para estacionar? Porque há muitas pessoas aqui a passar férias. Ok. Porque é que há muitas pessoas aqui a passar férias? Porque isto é um paraíso. Ok. Então se juntarmos isto tudo e tentarmos focar no positivo o que temos é: eu vivo no paraíso e por isso as pessoas também querem aproveitar um bocadinho do meu paraíso e para tal vêm para cá passar férias.

Percebem onde quero chegar? 

Bem, ou eu estou a ver isto da perspectiva correcta, ou o meu cérebro decidiu que estava na hora de eu parar de ter ataques de nervos cada vez que chego do trabalho e não tenho um único lugar de estacionamento vago.

Who knows?

Eu e a minha solidão

V de Viver, 16.10.19

16830269_1288074357929328_1921538110_n.jpgHá dias em que só precisamos estar sozinhos. Em que precisamos esquecer todos ao nosso redor, os problemas, o trabalho, os dramas internos, os dramas das amigas, o que não nos pertence, mas que deixamos que nos encha a cabeça e a alma todos os dias. Há dias em que só o silêncio nos pode fazer companhia. Ou a música. Vivo sozinha há cerca de três anos, altura em que acabei uma relação de nove anos! Caramba, nove anos. Mas isso é outro tema, hoje só quero falar do bem que a solidão nos pode fazer. Quando fiquei sozinha, inicialmente, fiquei assustada. Tinha acabado de começar uma nova vida, um novo trabalho, num sítio completamente diferente e a duzentos quilómetros da minha terra, da minha família, das minhas raízes e daquilo que eu conhecia. Foi, sem dúvida, um sonho tornado realidade porque vim viver para a localidade onde sempre tinha sonhado viver, e foi ainda melhor do que imaginei. Não mudava nada do que aconteceu, até porque acredito que tudo acontece por um motivo, mas foi duro no início. Mas com o tempo a solidão começou a fazer-me companhia. E eu gostei. Parece inacreditável, ainda mais para quem me conhece. Sou uma pessoa super alegre e sociável, mas no dia que me habituei a gostar da minha própria companhia a minha vida mudou. Com os anos (ou será com os danos?!) aprendes que só tu te podes compreender. Só tu tens o poder e a possibilidade de te ajudar, de te escutar e de te fazer feliz. Não digo com isto que devemos passar a vida sozinhos, atenção! Eu gosto muito de estar com os meus amigos, das jantaradas, dos copos e das saídas com eles. Adoro estar com a minha família, nada me faz mais feliz que reunir a família toda. Pretendo apenas que todos que leiam isto possam compreender que, por vezes, estar sozinho pode ser a melhor coisa da vida. Ajuda-nos a crescer de uma forma indescritível. Perdi a conta às vezes que estava com algum problema, alguma dor interior, e fui até à praia, sozinha. Só eu e o mar. Só estar sozinha com o mar é que pode ser melhor que estar efetivamente sozinha.

Acreditem.

Cresci muito mais nos momentos em que me encontrei sozinha do que nos momentos em que alguém me tentou ajudar ou me tentou animar em relação a alguma coisa. Os conselhos das pessoas que nos amam podem ser bons, mas não há nada como os nossos próprios conselhos. Como o nosso próprio olhar sobre os nossos problemas e dilemas. Só isso nos pode ajudar a resolver, tanto os problemas externos como, principalmente, os internos.