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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

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Gratidão à chuva

V de Viver, 05.04.22

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Aconteceu hoje quando saí do ginásio. Quando fui para lá o dia estava escuro, mas não chovia. Quando saí estava a chover e eu fui a pé, sem guarda chuva. E foi ao vir para casa à chuva que senti. Uma enorme gratidão. Gratidão pela chuva que me caía no rosto. Gratidão por estar viva. Por ter uma casa para onde voltar. Nesse momento passou por mim de mota um senhor que trabalha na entrega de comida. E mais uma vez apoderou-se de mim uma enorme gratidão por não ter que trabalhar debaixo de chuva (na maioria das vezes pelo menos!). 

Continuei o meu caminho em direcção à minha casa e senti-me feliz. Feliz por ter crescido, por ter amadurecido, por conseguir perceber, hoje, que todas as situações e pessoas que passaram na minha vida tinham um propósito. Tudo aconteceu por um motivo e cada vez tenho mais a certeza disso.

Segui o meu caminho sentido-me grata pelos tombos que dei na vida, de verdade. Porque todos me ensinaram algo, porque foram eles que me transformaram na pessoa que sou hoje. E, acreditem, eu orgulho-me muito de quem sou. Orgulho-me muito do meu crescimento e das minhas conquistas. 

Já encharcada pela chuva entro no prédio e, no elevador, ao dar com os olhos no meu reflexo agradeço-me por não ter desistido. Por fazer todos os dias o que tem que ser feito para chegar onde quero. Para ser quem quero ser. Agradeço-me por continuar a lutar todos os dias. Por ter chorado mas ter persistido sempre. Olhei para o espelho do elevador uma última vez antes de sair no meu andar. E vi. Vi a mulher que quero ser. A mulher que me orgulho de ser. E senti-me grata mais uma vez. Grata pela minha história desde o dia em que nasci. Hoje sei que tudo aconteceu como tinha que acontecer. 

Se tivesse que escolher uma palavra para o dia de hoje seria gratidão. Usada em demasia ultimamente, talvez. Mas hoje é a que faz mais sentido.

PS: também poderia ser amor-próprio!

Da cor da humanidade

V de Viver, 11.03.22

Sentada vejo as gotas da chuva a cair na varanda. O dia está cinzento, como o mundo e a humanidade. Penso nas pessoas que estão a sofrer, a fugir das suas casas, a deixar tudo para trás. A dor que só quem passa por uma situação assim saberá explicar. Provavelmente não terá explicação. 

Situações como a guerra fazem-nos pensar na vida. Ou pelo menos a mim. Temos tendência a focar no que nos falta, no que não está bem, no que podia ser melhor. E depois, um dia, o mundo acorda com a noticia de que a Ucrânia está a ser bombardeada. São imensas as sensações que se vivem ao ouvir/ler essas palavras. Guerra? Parece mentira. Estamos em 2022 e acho que ninguém espera uma guerra. Mais uma. Coloca os nossos problemas em perspectiva. 

Dá uma sensação de que a humanidade está perdida. De que a sede de poder se sobrepõe a tudo o resto. Um homem louco muda a vida de um país. Um homem que já tem tudo mas a quem, com certeza, falta o melhor: o amor. Porque ninguém que tenha amor poderá querer começar uma guerra. Não digo isto com pena dele. Lamento mas a minha empatia não consegue ser assim tão abrangente. Apenas constato que só a falta de amor poderá levar alguém a querer destruir a humanidade. A prova viva de que ter tudo não chega está ali, a dar ordens na Rússia. 

Oxalá a chuva lavasse o pior da humanidade. Quem dera no fim do dilúvio todo o mal do mundo tivesse sido purgado. 

"Esta chuva é a mágoa de alguém"

V de Viver, 30.10.21

1635615364724.jpg(Imagem: @opoemaensinaacair)

Lágrimas.

De felicidade ou de tristeza. 

Lágrimas. 

Limpam a alma. 

Lágrimas.

Deixa-as correr. Deixa que te limpem. 

Lágrimas.

Frias e húmidas. 

Lágrimas.

Como o mar que nos limpa a alma.

Lágrimas.

Uma forma de seguir.

Lágrimas.

Como a chuva que caí lá fora, sem parar.

Lágrimas.

Gotas que correm, na rua e cá dentro. De mim. De ti.

Lágrimas.

Por dentro ou por fora.

Lágrimas.

Não as temas. Saboreia-as. 

Lágrimas.

Por vezes, tudo aquilo de que precisamos.

Lágrimas.

Tal como a chuva que caí.

Será mesmo a mágoa de alguém?