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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Eu perdoo-me

V de Viver, 30.12.21

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É o penúltimo dia do ano e após dois dias com duas situações diferentes em que me sinto uma merda no que diz respeito ao meu trabalho fico a pensar: o que é que eu tenho que aprender com isto?

Sinto-me ridícula. E acho que é essa sensação de ridículo e de desadequação que me faz sentir com o coração tão apertado. Uma espécie de ansiedade, uma vibração bem baixa que me aperta o peito e me faz sentir verdadeiramente mal. Uma dor que chega a ser física. 

Quero deixar isto em 2021.

Quero escrever para limpar a mente porque não quero voltar a pensar nisto. No quão ridícula fui. Na quantidade de vezes que me senti ridícula na vida. 

Portanto escrevo agora para me perdoar.

Eu perdoo-me por todos os erros do passado.

Eu perdoo-me por todas as vezes que agi sem pensar (como ontem à noite).

Eu perdoo-me por todas as vezes que fiz ou deixei de fazer algo que me fez sentir ridícula.

Eu perdoo-me por nem sempre saber como agir profissional e pessoalmente.

Eu perdoo-me por ter feito coisas das quais não me orgulho e que não gostava que me fizessem a mim.

Eu perdoo-me por todas as vezes em que não soube colocar limites.

Eu perdoo-me por todas as vezes que fiz coisas que não queria fazer. Por todas as vezes que disse sim quando queria dizer não.

Eu perdoo-me por todas as vezes que me deixei para trás.

Eu perdoo-me por todas as vezes que me senti burra. Fiz sempre o melhor que consegui, o melhor que sabia.

Eu perdoo-me por ter confiado em pessoas que não mereciam. Por confiar rápido demais, por não saber ver, de verdade, o interior de certas pessoas.

Eu perdoo-me por me ter deixado enganar. Por me ter entregue a pessoas que não mereciam, ter confiado, ter partilhado parte de mim e da minha vida.

Eu perdoo-me por nem sempre ter feito as escolhas certas, na altura pareciam ser as devidas.

Eu perdoo-me por ter magoado alguém e por me ter magoado a mim.

Eu perdoo-me por nem sempre ser tão inteligente quanto devia. Pelas vezes em que não coloquei em prática aquilo que sei, aquilo que digo aos outros.

Eu perdoo-me pelas falhas. Pelas desistências. Pelas mudanças de rota inesperadas.

Nem sempre fui a pessoa que quero ser. Nem sempre agi com a calma que deveria. Nem sempre pensei com clareza antes de agir (como ontem). Fiz figura de ridícula e ninguém gosta de se sentir ridículo. Mas eu perdoo-me por isso. Fiz sempre, este ano e em todos os outros, aquilo que me parecia mais correto. Agi sempre com o coração e talvez isso não tenha sido bom.

Mas perdoo-me porque fiz sempre, sempre, aquilo que me pareceu mais correto. 

Eu perdoo-me por me sentir uma falhada, por todas as vezes que me senti uma merda. Perdoo-me porque eu não sou uma merda. Sou um ser humano. E erro, falho, engano-me e, sim, faço figura de ridícula às vezes. Mas perdoo-me porque faço sempre o melhor que consigo. 

Esta é a única certeza que tenho: não sou perfeita mas sou sempre eu mesma.

 

PS: já passou. 

Quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra

V de Viver, 17.06.21

"Erros, Deus é testemunha que toda a gente os comete, a parte mais difícil é que temos de viver com eles. Para sempre."

Há dias estava a ver um filme (À Margem da Lei) e deparei-me com essa frase. Fiquei a pensar nela. Quem é que pode dizer que nunca errou? Quem é que pode apontar o dedo pelos erros dos outros sem ter a sombra do mesmo erro, ou de outros semelhantes, nas suas costas? Todos erramos. Todos já fizemos algo que nos fez arrepender mais tarde. Nunca fizeste algo que sempre disseste que nunca farias? Nunca sentiste o peito apertado ao pensar em algo que fizeste e não devias ter feito? Não devias ter feito, isto é, foi contra os teus princípios. Porque o que devemos ou não fazer não está escrito em lado nenhum. Não há um manual onde possamos aprender o que é certo ou errado. Mas existem os nossos valores, os nossos princípios, e acredito que, vez ou outra, já todos fomos contra eles. Se vocês nunca foram, parabéns. Eu já. E querem saber a verdade? Parte de mim dói quando penso nisso. Quando recordo o que fiz, a forma como falei para alguém ou como lidei com certa situação. Mas a verdade é que foi isso que me ensinou. Ensinou-me a não voltar a fazer o mesmo. Ensinou-me mais um pouco sobre o meu caminho e, principalmente, sobre o que eu não quero que seja o meu caminho. Errar todos erramos. O mais importante é aprender com esses erros. Não devemos ficar presos ao passado, ao que fizemos e achamos que não devíamos ter feito. O que está feito, feito está. Não podes mudar nada. Mas podes aprender a lidar com isso e a não voltar a trilhar esse caminho. Não te cobres tanto, não te julgues tanto.

Todos erramos e quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra.