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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

Coisas que eu [não te] disse

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02
Jun20

Passei o Dia Ouvindo o que o Mar Dizia

António Botto


V de Viver

IMG_20200602_113515_743.jpg

 

Eu hontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.

Chorámos, rimos, cantámos.

Fallou-me do seu destino,
Do seu fado...

Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Poz-se a cantar
Um canto molhádo e lindo.

O seu halito perfuma,
E o seu perfume faz mal!

Deserto de aguas sem fim.

Ó sepultura da minha raça
Quando me guardas a mim?...

Elle afastou-se calado;
Eu afastei-me mais triste,
Mais doente, mais cansado...

Ao longe o Sol na agonia
De rôxo as aguas tingia.

«Voz do mar, mysteriosa;
Voz do amôr e da verdade!
- Ó voz moribunda e dôce
Da minha grande Saudade!
Voz amarga de quem fica,
Trémula voz de quem parte...»
. . . . . . . . . . . . . . . .

E os poetas a cantar
São echos da voz do mar!

António Botto, in 'Canções'
16
Out19

Eu e a minha solidão


V de Viver

16830269_1288074357929328_1921538110_n.jpgHá dias em que só precisamos estar sozinhos. Em que precisamos esquecer todos ao nosso redor, os problemas, o trabalho, os dramas internos, os dramas das amigas, o que não nos pertence, mas que deixamos que nos encha a cabeça e a alma todos os dias. Há dias em que só o silêncio nos pode fazer companhia. Ou a música. Vivo sozinha há cerca de três anos, altura em que acabei uma relação de nove anos! Caramba, nove anos. Mas isso é outro tema, hoje só quero falar do bem que a solidão nos pode fazer. Quando fiquei sozinha, inicialmente, fiquei assustada. Tinha acabado de começar uma nova vida, um novo trabalho, num sítio completamente diferente e a duzentos quilómetros da minha terra, da minha família, das minhas raízes e daquilo que eu conhecia. Foi, sem dúvida, um sonho tornado realidade porque vim viver para a localidade onde sempre tinha sonhado viver, e foi ainda melhor do que imaginei. Não mudava nada do que aconteceu, até porque acredito que tudo acontece por um motivo, mas foi duro no início. Mas com o tempo a solidão começou a fazer-me companhia. E eu gostei. Parece inacreditável, ainda mais para quem me conhece. Sou uma pessoa super alegre e sociável, mas no dia que me habituei a gostar da minha própria companhia a minha vida mudou. Com os anos (ou será com os danos?!) aprendes que só tu te podes compreender. Só tu tens o poder e a possibilidade de te ajudar, de te escutar e de te fazer feliz. Não digo com isto que devemos passar a vida sozinhos, atenção! Eu gosto muito de estar com os meus amigos, das jantaradas, dos copos e das saídas com eles. Adoro estar com a minha família, nada me faz mais feliz que reunir a família toda. Pretendo apenas que todos que leiam isto possam compreender que, por vezes, estar sozinho pode ser a melhor coisa da vida. Ajuda-nos a crescer de uma forma indescritível. Perdi a conta às vezes que estava com algum problema, alguma dor interior, e fui até à praia, sozinha. Só eu e o mar. Só estar sozinha com o mar é que pode ser melhor que estar efetivamente sozinha.

Acreditem.

Cresci muito mais nos momentos em que me encontrei sozinha do que nos momentos em que alguém me tentou ajudar ou me tentou animar em relação a alguma coisa. Os conselhos das pessoas que nos amam podem ser bons, mas não há nada como os nossos próprios conselhos. Como o nosso próprio olhar sobre os nossos problemas e dilemas. Só isso nos pode ajudar a resolver, tanto os problemas externos como, principalmente, os internos. 

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