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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

29
Jul20

Magia


V de Viver

Estrada na Floresta.jpg(Imagem: Pintrest)

Tudo ao meu redor é verde. O vento sopra ligeiro mas fresco. Os pássaros cantam. Uma sinfonia mesclada pelas inúmeras espécies diferentes de cantores com asas. Ouço o zumbido dos insectos. O rastejar dos répteis. O coaxar de um sapo, longínquo. As folhas das árvores oscilam com a brisa proporcionando uma melodia harmoniosa. Os raios do sol chegam até mim por entre a folhagem. Linhas quase impercetíveis de pequenas partículas de luz. Respiro fundo. Sinto o ar fresco a entrar, lentamente, nos meus pulmões. Fecho os olhos. Inspiro. Expiro. Inspiro novamente. A fresquidão que entra no meu corpo arrepia-me. Expiro. Dou um passo. Ouço os galhos e folhas secas a restolhar sob os meus pés descalços. Sinto a terra. Liberdade. É a palavra que melhor descreve o que sinto neste momento. Abro os braços e começo a girar. Lentamente para não ficar zonza. Dou uma volta. Outra. E outra. O cabelo, guiado pela aragem fresca, toca-me o rosto. Viva. Sinto-me viva. Dou mais um passo na terra húmida. Sinto e ouço a Natureza. Outro passo acompanhado de um ímpeto, uma vontade absurda, de correr. Não de fugir, mas de correr. De sentir a terra sob os meus pés, a pele em contacto com as folhas. De ouvir os pássaros, ouvir o vento. Enceto uma corrida lenta. O vento refresca-me o rosto, limpa-me a pele. O ar entra, gélido, nos meus pulmões, para de seguida sair, quente e arrastando com ele todas as sensações desagradáveis. Corro. Corro. E corro. E não me sinto cansada. Sinto-me limpa e purificada. Abro os olhos e tudo à minha volta é verde, é paz, é puro e fresco. Os olhos acostumam-se à luz. E estou aqui, na minha casa. E apercebo-me, não pela primeira vez, daquilo que a imaginação nos pode proporcionar. O meu corpo não saiu de casa. Mas a minha mente? A minha mente viajou até um lugar mágico. 

21
Jun20

Primeira noite de Verão


V de Viver

Já alguma vez experimentaram sentar-se na vossa varanda, durante uma noite amena e olhar para o céu límpido e estrelado?

Eu faço-o muitas vezes.

Mas hoje, na primeira noite de verão deste ano que tem sido um dos mais atípicos de sempre desde que tenho memória, teve um sabor invulgar.

Sentada na minha velha cadeira de plástico, a ouvir os grilos cantar. Os pássaros, os mais audaciosos, cantam tímidos, quase inaudíveis. Distantes ouvem-se cães ladrar, pessoas rir, e música. Alguém, alhures, parece estar a dar uma festa. Não seria invulgar, se não estivessemos neste incomum ano de 2020. Ainda assim, e com esperança de que seja apenas alguém que, como eu, tenha o hábito de ouvir música bem alta, deixo-me alegrar pela música, quase impercetível, e pela sensação de paz que esta noite me transmite. 

Já alguma vez fitaram o céu durante alguns minutos numa noite estrelada? Sem desviarem o olhar. Sem perderem a atenção para coisas menos cativantes. Ficar a olhar para o céu. Para o cenário brilhante que as estrelas nos proporcionam. Já experimentaram fitar uma estrela durante algum tempo? Sem desviar os olhos dela? Se não o fizeram, façam-no. Parece parvoíce, eu sei. Mas experimentem. Quando fitamos o céu uma primeira vez, parece apenas uma tela escura. À medida que os olhos se acostumam à escuridão começamos a vislumbrar pequenos pontos brilhantes. E depois mais. E mais. E cada vez mais brilhantes. Até que o nosso olhar é atraído por uma única estrela. Depois de olharmos a sua beleza durante algum tempo ela parece esmorecer, para logo em seguida, nos confundir, e começar a brilhar mais e a movimentar-se. Até que parece desvanecer completemente. E, logo de seguida, somos atraídos por outra. E mais outra. E seguida de outra. 

Em noites como esta, em que o céu está límpido e as estrelas brilham com tamanha intensidade, só por podermos apreciar o fantástico espetáculo que o céu nos proporciona, já vale a pena ter nascido. 

E assim podemos transpor longos minutos. Com a brisa a bater-nos nos cabelos, os grilos a agraciar-nos com a sua melodia, e as estrelas a encher-nos os olhos, e a alma, com a sua magnificiência. 

Ah, as estrelas...Elas brilham. Elas brilham até desvanecerem perante os nossos olhos. Ou até deixarmos de as ver devido às lágrimas que os inundam. E como elas brilham. Não brilham?

Conseguem vê-las brilhar?

08
Jun20

Perdida


V de Viver

Perdida.

Sem rumo. Sem saber que direção hei-de seguir.

Sigo sozinha? Ou seguimos juntos?

Finalmente falámos. Havia coisas que precisavam ser ditas. Mas mesmo depois de, como balas, atiradas as palavras, continuo sem respostas. Serei exigente demais? Sempre precisei de saber onde estou e para onde vou. Porque de onde vim eu sei. Não sei o que fazer. Sinto-me dividida. 

Perdida.

Sem rumo. Sem saber que direção hei-de seguir.

Sigo sozinha? Ou seguimos juntos?

Perguntas respondidas. Conclusões tiradas. Porque é que continuo na dúvida? Porque é que continuo com a sensação de que não faço ideia onde estou, nem para onde vou. Quero-te. Sei que me queres. Mas será que me queres na mesma medida? Sempre tive as minhas dúvidas em relação a isso. Lê-se muito por aí que não devemos aceitar menos que tudo. Mas será que me dás tudo? Será que alguma vez me deste tudo? Será que eu quero que me dês tudo? Sempre soube aquilo que quero. E, ainda mais, aquilo que não quero. Se já falámos. Se já chegámos a uma conclusão, porque é que ainda me sinto assim?

Perdida.

Sem rumo. Sem saber que direção hei-de seguir.

Sigo sozinha? Ou seguimos juntos?

Seguimos juntos. Se é ou não o melhor para nós, julgo que ambos desconhecemos. Mas afinal de contas, não é assim com todas as relações? Haverá alguém que tenha a certeza do caminho que trilha antes de o percorrer? Não sei. Já não sei nada. Mas seguimos juntos. Decidimos assim. A decisão foi mútua. Eu não te quero largar. Tu não me queres deixar ir. Mas porque é que continuo com a sensação de que se nos separássemos me ia doer mais a mim do que a ti? É assim que eu continuo.

Perdida.

Sem rumo. Sem saber que direção hei-de seguir.

Sigo sozinha? Ou seguimos juntos?

Decidimos manter-se unidos. Vamos seguir a viagem juntos. Mas será que estamos realmente juntos? Queres-me como eu te quero? Ou será que, realmente, é verdade que em todas as relações há alguém que ama mais? Sou eu? Novamente? Será que te amo como gostava que me amasses? Será que é verdade que damos aos outros o que gostaríamos de receber? É assim que me sinto.

Perdida.

Sem rumo. Sem saber que direção hei-de seguir.

Sigo sozinha? Ou seguimos juntos?

Juntos. Porque ganhamos juntos o que perdemos separados. Ou não? Não sei. Existe, mesmo, muita coisa que não sei. Que desconheço e que talvez seja mais fácil continuar sem conhecer. Mas há algo que eu sei. Sinto-o. Vivo-o. Digo-o. Eu amo-te. Mas amo-me mais a mim. Por isso me pergunto:

Sigo sozinha? Ou seguimos juntos?

05
Jun20

Ultimamente


V de Viver

Ultimamente tenho pensado muito no tempo. Palavra difícil de definir. 

O tempo que passa rápido

O tempo que passa lento.

Depende apenas da nossa perspectiva. 

Para mim, ultimamente, tem passado lento.

Ultimamente, obrigo-me a não pensar em ti. A deixar de lado aquilo que vivemos. Os momentos felizes que passámos. Fomos felizes, não fomos? Ou foi tudo ilusão? Não.

Tenho a certeza que fomos felizes. Como tenho a certeza que te sinto ainda dentro do peito. Mas o tempo afasta-nos. Ou seremos nós que nos afastamos? 

Confusão. Poderá ser a palavra que me define, ultimamente. 

Tenho saudades, mas não te quero perto. Quero que penses. Quero pensar. Não quero avançar assim. Defeito meu, talvez, querer sempre as coisas resolvidas dentro da minha cabeça. 

E do meu coração.

Ultimamente tenho chorado muito. Há muito tempo que não chorava assim. Mas não me importo. Chorar ajuda. Limpa-me a alma. Mas não choro por ti. Ou, pelo menos, não apenas por ti. Choro por mim. Choro por nós. Pelo que podíamos ter sido e não fomos. Será que ainda vamos a tempo de ser? Ah...o tempo!

Ultimamente passa lento, esse bandido que nos afastou. Corre devagar. Como se tivesse todo o tempo do mundo. E ele talvez tenha. Mas não nós. Nós somos seres finitos. Não vamos estar cá para sempre, seja o sempre aquilo que for. Será que já alguém pensou sobre o que significa para sempre? O para sempre sequer existe?

Ultimamente tenho muitos pensamentos destes. Perco-me a pensar em coisas que, provavelmente, não fazem muito sentido se as disser em voz alta, ou até mesmo, se as escrever.

Ultimamente também tenho escrito muito. Sobre ti. Sobre mim. Sobre nós. O passado. O presente. O futuro. Mas será que temos futuro? Juntos, não separados.

Ultimamente tenho-me feito muitas perguntas. A maioria delas continua sem resposta. 

Após horas de reflexão chego a uma conclusão...ultimamente é uma palavra muito feia. 

04
Jun20

Chuva de Junho

Chuva de saudades


V de Viver

A chuva cai torrencialmente. As minhas lágrimas acompanham-na. Quase a mesmo cadência. Quase a mesma melodia. O som da nostalgia, se é que a nostalgia tem som. Sempre que chove recordo a minha infância. Há uma imagem que se repete na minha mente vezes sem conta. Eu e a minha mãe deitadas, a ostentosa torrente de chuva, e a voz da minha mãe a dizer baixinho, quase como se de uma canção de embalar se trata-se: "olha, o avôzinho foi trabalhar, filha. E agora está a chover tanto, coitadinho. Vai ficar todo molhado." Recordo a sensação de aperto no peito. Mais do que recordá-la, revivo-a sempre que chove. Recordo ainda a comoção de esperança que se apoderava de mim quando a minha mãe dizia isso. Muitas vezes, quando a chuva era forte demais, o meu avô regressava a casa por não ter condições para trabalhar. O trabalho do campo é muito duro. Mas a maioria das pessoas nunca vai entender isso. Nunca vai saber valorizar. Mas isso é tema para outro dia. Hoje só quero recordar o meu avô. A minha avó. A minha infância feliz. Quero deixar-me embalar pela chuva, um dos sons que mais reverencio no mundo. E deixar que ela me leve de volta àqueles momentos. Àquelas pessoas que foram o melhor do meu mundo. Que fizeram o meu mundo ser o melhor.

Se a saudade matasse...

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