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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

24.11.20

Permuta de dores

V de Viver

Existem dores que nos sufocam. Por vezes não sabemos de onde vêm. Outras vezes sabemos, mas fingimos não saber. Será que podemos usar uma dor para sufocar outra? Ah, sim. Podemos. Podemos e fazêmo-lo muitas vezes. Bem, pelo menos eu faço. Descobri não há muito tempo que existe um escape para os dias maus. Aqueles em que tudo está escuro. Em que, aparentemente está tudo bem, mas não por dentro. Não no interior. E, afinal de contas, se o interior estiver inquieto como pode o exterior estar em paz? Mas agora sei o que fazer para acabar com aqueles pensamentos que me sufocam. Que me envolvem a mente, que me querem fazer acreditar que nunca vou conseguir ir mais além, que nunca vou ser ninguém, que nunca serei quem quero ser. Sim. Agora sei. Levanto-me do sofá. Visto umas legging's, uma blusa, calço os ténis. Ligo a música. Bem alto. Se a música estiver alta os problemas ficam em silêncio. Ou, pelo menos, não os ouço nitidamente. Começo a treinar. Alongamentos para evitar dores depois. Evitar dores? Mas não é para isso que eu treino? Sofrer para esquecer o sofrimento. São dores. O significado da palavra pode ser o mesmo. Mas a dor é diferente. Começo agora a treinar com alguma intensidade. Começo a sentir a respiração a ficar pesada. Os músculos começam a aquecer. Sinto dores ligeiras nas pernas. Ainda não calei os pensamentos. Aumento a intensidade. Aumento mais. E mais. E mais. Agora já não consigo respirar de forma fluída. O peito começa a pesar. O coração salta. Os músculos doem. As pernas tremem. A música toca, estridente nas colunas. Será que incomodo os vizinhos? Não quero saber. Preciso de barulho para poder ficar em silêncio. E são apenas alguns minutos. Acelero mais. O relógio apita. Informa que os níveis de pulsação estão elevados. Agora estou a chegar ao meu limite. Não paro. Só mais uma série. Os músculos ardem. Os braços não aguentam mais o peso do corpo. O suor escorre por todo o meu corpo. A música grita. Eu salto. Está quase. Está quase. Não ouço mais nada. Sinto dores em todos os músculos do corpo. Até naqueles que nem sabia que existiam. Mas doem. Ardem. E assim, outras coisas deixam de doer. Afinal, podemos sim procurar dores para suprimir outras dores. Podemos sim! 

19.11.20

Aqui, onde pertenço

V de Viver

126371510_192936812288909_1217688334664714511_n.jp(Fotografia: V de Viver)

Sentada na areia húmida ouço o som do mar. Escuto os segredos que ele tem para me contar. Dos sítios onde já passou, das pessoas que já viu, das lágrimas que dele fazem parte. As ondas vêm e vão. A espuma da rebentação brinda-me com uma melodia quase mágica. Como se milhões de vidrinhos se juntassem, criando uma sinfonia deslumbrante. Cruzo as pernas e deixo que o sol me aqueça. O vento beija-me os cabelos. O cheiro a maresia preenche-me o corpo e a alma. Coloco as mão sobre as pernas. Relaxo. Respiro o ar salgado que me refresca. Fecho os olhos. Deixo-me levar pelo som das ondas e do vento. Sinto-me leve e em paz. Penso em quantas vezes fazemos aquilo que realmente queremos fazer. Aquilo que nos dá prazer, que nos preenche cada célula do corpo. Sinto a paz a instalar-se no meu corpo e, principalmente, no meu coração. Quero pensar, com fé, que a vida sabe sempre onde é o nosso lugar. Aqui sinto, não pela primeira vez, que é o meu. Que é aqui que pertenço. A esta praia, a este mar, a esta vida. Aqui, com o mar, o sol e o vento como companhia sinto-me em casa. É aqui que pertenço. Sozinha. Mas nunca verdadeiramente só. 

15.11.20

Solidão em dias de sol

V de Viver

A solidão pode ensinar-nos muito, principalmente a respeito de nós mesmos. 

Sempre fui uma pessoa solitária. Mesmo quando adolescente, quando todos saiam ou se reuniam em festas, eu não estava presente. Primeiro por não me ser dada essa liberdade e depois porque, acredito, que me habituei tanto à minha própria companhia que nenhuma me agradava mais que ela. 

Hoje em dia continuo uma pessoa solitária. Fico sozinha por horas, por vezes por dias. Apenas eu, a música, os livros, o blog e os meus pensamentos. Mas hoje, num dos muitos dias de solidão da minha vida, dei-me conta de que a solidão custa menos em dias de sol. Isto poderá soar ridículo. Mas é o que sinto. 

O sol parece ter uma força mágica que me empurra para cima. Parece querer obrigar-me a acreditar, sempre, que dias felizes sempre acabarão por chegar. Que a vida não será apenas sofrimento e deceção. Que um dia ainda vou rir-me muito de tudo por que passei. De todos os momentos de dor e de aprendizagem. Sim, porque é isso que a dor faz. Ensina-nos. 

Até lá, sigo na minha solidão. Que sempre fica menos solitária quando o sol me faz companhia. Quando ele brilha, mostrando que a felicidade está sempre lá, que o calor sempre acaba por chegar. Que a luz faz parte da minha vida, assim como a escuridão. E que, aconteça o que acontecer, a luz sempre prevalecerá à sombra. 

12.11.20

Não tenhas medo

V de Viver

Não tenhas medo. Levanta a cabeça e segue o teu caminho. Sim, continua a caminhar, sem medo.

Não tenhas medo, a vida há-de sempre continuar, até ao dia final, mas não tenhas medo.

Não tenhas medo dos teus erros, eles ensinaram-te algo. Não tenhas medo de nada. Segue. Levanta a cabeça e apenas segue.

Não tenhas medo da vida, nunca, nunca te permitas ter medo de viver. Viver é única coisa que temos e é tão bom.

Não tenhas medo de amar. Amar é imensidão, é algo que nos muda, não andamos a fazer nada aqui se não amarmos, por isso não tenhas medo de amar. Ama, mas ama muito. E sempre, não te esqueças, sempre, ama-te a ti primeiro. Só assim poderás amar os outros.

Não tenhas medo de sorrir. Sorri é tão bom, e é gratuito, imagina! Algo tão bom que até parece mentira que não se paga. 

Não tenhas medo de cair. Sim, cair pode magoar, podes até fazer uns arranhões nas mãos ou nos joelhos, mas levanta-te. Levanta-te sempre, mesmo quando a queda for grande. Nunca te deixes ficar no chão.

Não tenhas medo do julgamento. Às vezes julgamos, outras somos julgados. Devemos evitar, mas nunca temer, o julgamento.

Não tenhas medo das mudanças, elas são inevitáveis e significam sempre um recomeço. 

Não tenhas medo de caminhar sozinha, tens em ti tudo o que precisas. Se alguém se juntar a ti na caminhada, ótimo, que seja para somar. Mas nunca te esqueças que és tudo o que precisas. 

Não tenhas medo da morte. Ela chegará quando tiver que chegar, e levará quem tiver que levar. Aproveita a vida, porque estar vivo e não viver é uma morte lenta e dolorosa. 

Não tenhas medo. Sê forte e não percas, nunca, a coragem. E lembra-te sempre, mesmo nos dias mais nebulosos, principalmente nesses, de que tu és importante, tu és tudo o que tens. Ama-te e respeita-te como se se tratasse da pessoa mais importante da tua vida, porque é exatamente isso que tu és. 

11.11.20

Cair da noite

V de Viver

A noite caí e sentes-te perdida. Não sabes mais o porquê de andar aqui. Não sabes nada, nem sequer para onde te virar. Fraquejas e, mesmo sabendo que és tudo o que precisas, dás-te conta que precisas de mais qualquer coisa. Surge aquele curto momento em que a solidão não é aquilo que queres. Em que ela é a tua pior inimiga. O momento em que pensas em tudo o que podia ter sido e não foi. Em tudo o que podias ter feito e não fizeste. Colocas para tocar aquela música triste, como se não tivesses já triste o bastante. Olhas para trás e tentas escrutinar todos os teus erros, mesmo sabendo que esse é o maior erro. O dia foi longuíssimo, e só te tens a ti, à música e à chama da vela. Precisas de um abraço ou de uma palavra de conforto e sabes que não há ninguém para a dar. Tudo o que querias era um carinho e ouvir que vai ficar tudo bem. As lágrimas teimam em correr. Abraças-te só para ter a certeza que ainda ali estás, porque por dentro estás em pedaços. Ouves música no volume máximo para não teres de ouvir o barulho da tua solidão. Dás-te conta das situações em que te envolveste na vida, dos erros, dos acertos, dos caminhos sinuosos já trilhados. Quando percebes que continuas a caminhar sem saber a direção. A noite caiu e dás-te conta de que só te tens, realmente, a ti. E é aí que decides, tens que decidir, que precisas de sair desta situação. Percebes finalmente que te estás a afogar. Lutas para emergir, procuras fôlego. Precisas de ar, urgentemente. Precisas de retirar aquela pedra enorme que te caiu sobre o peito. Lutas para a tirar de lá. Procuras sorrir, buscas um motivo, algo que te prove que estás feliz assim. Agarras-te às lembranças para depois as deixares cair. Aferras-te à esperança. É tudo o que resta. A esperença de que também esta tempestade passe. E tu sabes que vai passar. E é a pensar no que ainda está por vir que fechas os olhos e adormeces. A vida passa, é isso que temes. Mas respira. Acredita. Enquanto te tiveres a ti, enquanto não te perderes de quem és, então há esperança. 

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