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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

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20 Nov, 2019

Um Beijo de Amor

Desafio 30 dias de escrita

V de Viver

Existem vários tipos de amor. O amor apaixonado, aquele que causa borboletas no estômago. O amor sexual, carnal, aquele que nada mais é do que uma atração física. O amor de afeto , aquele que nos inunda o peito quando reunimos a família. O amor fraternal, leal que se pode dizer que é o que experenciamos nas amizades. O amor próprio, aquele que todos devemos cultivar dentro de nós, por e para nós. O amor platónico, aquele que todos (ou quase todos) tivémos em adolescentes, por exemplo, por um actor ou cantor, etc. O amor ao próximo, que nos permite ter empatia pelos outros. O amor aos animais, o amor aos bens materiais. O amor pela leitura, pela escrita, pela vida. Poderia falar de amor o resto da tarde, e até noite fora. Para mim, o amor pode significar uma coisa totalmente diferente do que poderá significar para vocês que me estão a ler. Não há definição para o amor. Mas penso que todos estamos em sintonia quando o assunto é o amor de mãe. Aquele que é o mais puro, mais autêntico, mais honesto, mais absoluto. O mais verdadeiro, mais fiel, real, palpável e incontestável. O mais obstinado, intrasigente e incansável. O amor mais duradouro, moroso, estável e eterno. Aquele que nunca, jamais, morre. Por esse motivo, quando vi o tema sobre o qual o desafio de escrita me pedia para escrever hoje, a primeira contemplação, a primeira coisa que se manifestou na minha mente foi um beijo da minha mãe. Porque é ali, naqueles lábios ternos, que eu sei que está o verdadeiro amor. O amor que nunca me irá abandonar. O amor que perdoa tudo. O amor que não apodreceu, não se desgastou, não se degradou quando, em adolescente, lhe respondia torto e lhe dizia que não estava certa. O único amor capaz de suportar tudo e ainda assim continuar ali, rijo, implacável, seguro, saudável, maciço, sempre pronto para mim. Um beijo de amor é o beijo da minha mãe.Os beijos que me despertaram enquanto criança e adolescente. Nunca fui acordada por um despertador, nunca. A minha mãe era o meu despertador. Os beijos da minha mãe acordavam-me todos os dias. Suaves, ternos, doces e afectuosos. Muitos não foram bafejados com essa sorte. Eu fui. Sei que muitos não tiveram essa chance, sei que existem aqueles a quem a vida não permitiu conhecer o sabor do carinho da mãe. Sei que fui uma afortunada. Nunca tive o amor de um pai. Nunca chamei pai a ninguém. Mas sempre tive, tenho e continuarei a ter, a certeza absoluta que a minha mãe fez o papel dela e o de pai. E fê-lo bem feito. Errou. Hoje, que sou adulta consigo ver os erros dela, mas consigo também entender que todos esses erros se deveram ao facto de achar que era o melhor para todos. Não lhe guardo rancor por nenhum desses erros. Pelo contrário. Se eu for, um dia, metade da mãe e mulher que é, e sempre foi, a minha mãe, serei feliz. Irei sentir-me realizada. A todas as mães que foram também pai, deixo aqui um grande beijinho de carinho e uma, enorme, salva de palmas por terem sido as lutadoras que foram. Saibam que tarde ou cedo, os filhos vão sempre reconhecer o vosso valor e perceber que vocês, mães, fizeram o melhor que conseguiam com aquilo que tinham. Por esse motivo, hoje, o meu beijo de amor vai para a minha mãe, e para todas as mães. 

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