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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, escrevo.

Um Desafio Empolgante

Desafio 30 dias de escrita

V de Viver, 07.11.19

Ela sempre adorou ler. Desde muito nova que se lembra de si sempre agarrada a um livro. Cresceu numa casa que ficava ao lado da biblioteca da aldeia. Enquanto a maioria das amigas escolhia ir para a esplanada ela preferia ir passar a tarde na biblioteca. O cheiro dos livros, a textura dos mais gastos, as tardes em silêncio onde só o roçar das páginas se ouvia. Era a ideia de paraíso para ela. Viria a crescer sempre com a mesma paixão. Sempre a preferir um livro e uma manta em detrimento de uma noitada num bar. Mas ela não sabia que haveria de se apegar a outra paixão. A escrita surgiu na vida dela ainda andava na escola básica. Recorda-se, perfeitamente, de ter uma professora que lhes pedia uma composição onde teriam que descrever, com os maiores pormenores possíveis, os seus fins-de-semana. Todas as semanas. Hoje ela desconfia que poderá ter sido aí que nasceu a paixão pela escrita. Mas o momento em que ela começaria a escrever diariamente viria mais tarde. Por necessidade. Para limpar a cabeça e pôr as ideias no lugar. Por se sentir a cair sem pára-quedas e saber que, se o fizesse, não haveria ninguém para lhe amparar a queda. Então começou a escrever. Muito. Todos os dias. A tentar pôr no papel tudo o que lhe ia na alma. Muitas páginas acabariam marcadas pelas gotas das suas lágrimas. Mas o que ela não sabia era que um dia lhe apareceria um desafio empolgante. Após mais uma rasteira da vida, e ao ver-se obrigada a parar e repousar para curar uma lesão, decide criar um blogue. E é aí que a magia acontece. Após alguns dias de blogue, de ler outras pessoas e acabar por ser lida também, eis que surge um desafio de escrita. Ora, ela nunca antes, até criar o blogue, tinha tornado a sua escrita pública. Mas após escrever alguns textos deu-se conta que gostava daquilo. Aquela sensação de saber que pessoas, completamente desconhecidas e aleatórias, a liam. Era para ela uma espécie de confessionário mas sem mostrar a sua identidade. Escrevia com alma, com sentimento e isso notava-se nos seus textos. Era o que diziam os seus leitores. E ela esperava que os seus leitores soubessem que tudo o que ela dizia era verdade. Era a sua visão da sua própria história. Nem sempre feliz, sem sempre triste. Acabou por considerar o desafio da escrita como um dos mais empolgantes de sempre na sua vida. O facto de se ter comprometido a escrever todos os dias um texto fazia-a dedicar-se. Por vezes iniciava o texto sem grandes ideias para o tema do dia. Mas logo que começava, perdia-se. Como hoje. E como o texto já vai longo ela deixa o resto das ideias para amanhã. Como em tantos outros dias.

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