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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

Coisas que eu [não te] disse

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01
Nov19

Uma descoberta infantil

Desafio 30 dias de escrita


V de Viver

Vestida com uns calções cor de laranja e uma camisa aos folhos da mesma cor, corre até à porta da entrada da casa dos avós. Vê as suas primas a chegar. Olá princesa – dizem as três em uníssono. Ela olha-as encantada. Sempre adorou as primas. Temos uma novidade – diz a mais velha das três. Ela acha que sabe o que é. Mas não tem a certeza de como isso a faz sentir por isso espera e ouve o que a prima lhe diz. A tua irmãnzinha já nasceu! – dizem-lhe. E ela não sabe como se sente. Apetece-lhe saltar mas tem vontade de chorar ao mesmo tempo. As primas não lhe dão tempo para nenhuma das duas. Anda, vamos ao hospital. – diz uma delas. Ela segue-as e entra no carro. Não se recorda da viagem, deve ter adormecido porque, quando se apercebe, já estão à porta do hospital. Sobem no elevador. Ela entra no quarto e vê a mãe. A mãe parece-lhe igual. Como se nada tivesse mudado. Quando se aproxima vê que a mãe tem alguma coisa nos braços. A prima pega-lhe ao colo e coloca-a na cama ao lado da mãe. E é aí que ela a vê. A sua irmã está enrolada num cobertor cor de rosa, é muito pequenina e está vermelha. Ela não percebe porque está vermelha, os Nenucos dela não são assim. E têm muito mais cabelo que aquele bebé que a mãe tem ao colo. A mãe deposita-lhe um beijo na cabeça e diz-lhe: - Olha filha, a nossa menina. Ela não sabia mas essa seria a forma como iria ouvir chamar a irmã pelo resto da vida. Ela olha para a irmã. Não sabe bem o que sente mas quer pegar-lhe. A mãe diz-lhe que a mana não é um brinquedo e por isso tem que ter muito cuidado. Ela não percebe porque a mãe diz isso. Ela é sempre muito cuidadosa com os seus brinquedos. A mãe põe-lhe, muito lentamente, a irmã nos braços. Ela olha-a e toca-lhe no rosto. Contempla a irmã como algo que vê pela primeira vez. O nariz pequenino, a boquinha em gesto de beicinho. De repente a bebé abre os olhos. Ela olha-a e parece-lhe que a bebé também a está a ver. Fica com vontade de chorar e não sabe porque. A bebé parece sorrir-lhe. Todos à volta soltam um: - Oooh!! Ela sente o coração saltar mais depressa, parece que ficou quente e ela não sabe explicar o que se passa. A menina dos calções laranja tem apenas seis anos e não sabe que naquele dia fez a maior descoberta infantil de sempre. Não descobriu um tesouro enterrado no quintal dos avós, nem um bicho de uma espécie que nunca tinha visto.

Descobriu o amor de irmãs.

2 comentários

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    V de Viver 04.11.2019

    É verdade, penso que as irmãs são um dos nossos primeiros amores verdadeiros. E daqueles que duram a vida toda.

    Um beijinho, V
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