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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

Coisas que eu [não te] disse

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09
Nov19

Uma Pergunta Intrigante

Desafio 30 dias de escrita


V de Viver

Porque é que escolheste esse trabalho? Porque é que foste viver para longe da tua família? Porque é que acabaste uma relação de nove anos? Porque é que ainda não casaste? Não achas que está na altura de ser mãe? Porque é que não foste para a universidade? Porque é que não compras um carro novo? Porque é que nunca falas do teu pai? Tens uma cara tão gira, porque é que não fazes dieta? Não achas que devias emagrecer?

Não é uma pergunta intrigante, são várias. Poderia escrever o resto do dia sobre perguntas intrigantes. Sobre o facto de as pessoas quererem sempre saber mais do que aquilo que lhes diz respeito. Sobre o quererem rever-se na vida dos outros, quando cada um tem a sua história e o seu caminho trilhado e a trilhar. Nunca percebi o porquê das pessoas fazerem perguntas sobre as quais não têm qualquer interesse pessoal. Claro que ao crescer dás-te conta que é normal. Todos as fazem, ou quase todos. Mas ainda assim não consigo perceber o que leva as pessoas a pergutarem coisas que, independentemente da resposta, não vão alterar a vida delas em nada. Reparem, não é que eu seja uma daquelas pessoas que responde: "Não é da tua conta". Não, tenho a certeza que nunca respondi isso a ninguém. Mas apenas por uma questão de educação. Por vezes pergunto-me se as pessoas que fazem esse tipo de perguntas já se deram conta do quão ridículo soam. E digo ridículo porque as respostas que eu lhe poderia dar não iriam acrescentar absolutamente nada à vida delas. O ser humano é curioso por natureza. Eu sei. Eu também sou curiosa. Mas acreditem que não é com a vida dos outros. Se alguém me quiser contar alguma coisa da sua vida eu terei todo o gosto em ouvir. Em ajudar se conseguir. Mas se a iniciativa não partir da pessoa eu garanto-vos que não lhe vou perguntar absolutamente nada. 

Acho que hoje este tema veio mesmo a calhar e acabei por escrever mais em jeito de desabafo. Após a minha lesão e devido ao facto de me ver obrigada a ficar em repouso, acabei por voltar a ganhar mais uns quilinhos. Ontem, numa das minhas raras saídas à rua, encontrei uma pessoa com quem já não me cruzava há algum tempo. A pessoa olha para mim, de muletas no meio da rua, e a primeira coisa que me diz é: "Caramba, estás mais gorda não estás?" A minha primeira reação foi dizer-lhe, da forma mais educada que conseguisse encontrar, que fosse foder-se. (Desculpem lá o palavrão). Mas como não encontrei nenhuma forma educada de o fazer sorri e respondi: "Neste momento não é a minha maior preocupação." Não consegui parar de pensar nisso quando voltei para casa. Primeiro porque me parece fútil dizer a uma pessoa que se encontra de muletas que ela está mais gorda. Aliás, é fútil dizer a uma pessoa que está mais gorda, quer ela esteja ou não de muletas. Penso que se fosse ao contrário eu diria algo como: "Então o que é que te aconteceu?". Nunca a minha primeira observação seria para a pessoa estar mais gorda ou mais magra, até porque mesmo que reparasse nisso partiria do princípio de que a pessoa teria espelhos em casa. Na verdade, nem a primeira nem as seguintes observações. Nunca fiz uma observação sobre o peso de ninguém. Porque simplesmente não me diz respeito. 

A minha pergunta intigrante, para essa e para muitas outras pessoas é: Porque é que não se metem na vossa vida? 

2 comentários

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    V de Viver 14.11.2019

    É verdade girl. Se as pessoas soubessem como, por vezes, esse tipo de pergunta prejudica o outro. O resto daquele dia foi um inferno para mim. Não porque lhe deva qualquer explicação sobre a minha vida ou o meu peso. Mas é realmente triste que uma pessoa que sofreu a vida toda com o excesso de peso e lutou, todos os dias, para o derrotar, tenha que levar com este tipo de comentários quando, por infelicidade (ou sei lá) tem uma recaída. Ainda mais porque esta "recaída" não se deu propriamente por falta de vontade da minha parte. Apenas aconteceu que tive que parar de treinar e ficar muito tempo parada. Mas enfim, não existe limite para a estupidez humana.

    Obrigada pelas tuas palavras.

    Um beijinho, V
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