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Coisas que eu [não te] disse

Tudo o que não consigo dizer, apenas escrever.

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10
Nov19

Uma Tarde de Domingo

Desafio 30 dias de escrita


V de Viver

Domingo. Acorda ao sentir o peso da perna que ele lhe passou por cima. Ainda embargada pelo sono chega-se a ele. Dá-lhe um beijo no ombro instantes antes de abrir os olhos. Ele dorme com aquele ar sereno de sempre. Ela pensa em como é uma sortuda por o ter ao seu lado, e vira-se para alcançar o telemóvel com o intuito de ver as horas. Admira-se ao ver que já passa do meio dia. Já não se lembra quando foi a última vez que acordou tão tarde. Abraça-o com a intenção de o acordar. Ele, como sempre, leva o seu tempo para despertar. Ela enche-o de beijos, e diz-lhe que tem fome. Ele responde-lhe, meio a dormir, que também já comia qualquer coisa. Deixam-se ficar mais uns minutos na cama, a aproveitar a oportunidade de não ter nada para fazer. Levantam-se. Não querem cozinhar. Mas também não querem sair para comer. O vento sopra forte e frio lá fora como que convidando-os a ficar no conforto do lar. O sol aparece e desaparece como se jogasse um qualquer jogo de escondidas com quem quer desfrutar dele. Acabam por comer um pequeno almoço reforçado. Ele vai até a janela da cozinha na ânsia de desfrutar do seu vício. Ela olha-o e pressiona o botão para que a máquina de café inicie o seu serviço. Pega nos dois cafés e vai ter com ele à janela. Entrega-lhe uma chávena que ele coloca, imediatamente, junto ao vaso da orquídea. Ela observa-o, e pensa que a única coisa que, se pudesse, o obrigava a fazer era a largar aquele vício horrível de fumar. Ele olha-a e ri-se porque sabe, talvez pelo olhar dela, aquilo que ela está a pensar. Deixam-se ficar em silêncio. Ele puxa uma última baforada do cigarro, semicerra os olhos como se desfrutasse do momento, provavelmente desfruta mesmo. Pega na chávena do café e bebe o que resta do líquido quente. Dá um passo na direcção dela e deposita-lhe um beijo na testa. Ela agarra-o pela cintura e abraça-o. Sente, nesse momento, uma explosão no peito. Não estranha. Não é a primeira vez. Acontece sempre que se abraçam, independentemente de quem toma a iniciativa. Beijam-se. Um beijo leva ao outro. Um carinho evoca o outro. Quando dão por eles estão novamente no quarto. Fazem amor. Sem pressa. Quando os corpos estão satisfeitos, agarram-se como se fossem o mais importante da vida um do outro. Acabam por adormecer levados pelo prazer do momento. Quando acorda a tarde já vai longa. Ela dá-se conta que devido ao trabalho é raro desfrutarem de dias assim. O facto de ela só folgar um fim-de-semana por mês não o permite. Olha-o e beija-lhe a bochecha. Ele acorda. Abraçam-se e decidem que está na hora de ir tomar um duche. Como que por mútuo acordo dirigem-se, após o duche, novamente para o quarto. Ele pega no telemóvel, ela no livro. Há sempre algum livro na mesa de cabeceira. Deixam-se ficar. Pernas entrelaçadas. Um toque subtil na mão ou no braço de vez em quando. Como que para lembrar que estão presentes. Olham-se por vezes, em silêncio, não há necessidade de palavras, talvez por dentro cada um esteja a agradecer a presença do outro, à sua maneira. Quando se dão conta que a fome reapareceu apercebem-se também que gozaram de uma tarde de domingo serena. Daquelas que não saboreiam tantas vezes quantas desejavam. Daquelas que os lembra como são felizes. E como a felicidade, tantas vezes, rima com simplicidade.

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